Nagoia – O dia 14 de fevereiro, conhecido mundialmente como Valentine Day, possui uma dinâmica particular no Japão. Enquanto em diversos países a data é celebrada com a troca de cartões, flores e diversos mimos entre casais, o mercado japonês transformou o chocolate no protagonista absoluto da celebração.
Para entender como os japoneses se preparam para o Dia dos Namorados, é preciso primeiro lembrar que a dinâmica no Japão é única: no dia 14 de fevereiro, são tradicionalmente as mulheres que entregam chocolates aos homens. No entanto, o cenário de homens presenteando mulheres, o chamado Gyaku-choko ou “chocolate reverso” tem crescido, assim como a preparação para o White Day (14 de março), que é quando os homens retribuem.
A origem desse costume remete ao ano de 1936, quando a confeitaria Morozoff, de Kobe, publicou um anúncio em um jornal de língua inglesa sugerindo o doce como presente ideal para a data. No entanto, foi apenas a partir de 1958 que a prática ganhou força comercial, após uma feira temática realizada pela chocolateria Mary’s em uma loja de departamentos em Tóquio. Na década de 1960, campanhas massivas de empresas como a Morinaga consolidaram a ideia de que as mulheres deveriam presentear os homens com chocolates em formato de coração.
Com o passar das décadas, o que começou como uma declaração romântica evoluiu para uma prática social complexa. A partir dos anos 80, o chocolate tornou-se indispensável no ambiente de trabalho e escolar, independentemente do interesse amoroso. Esse fenômeno gerou nomenclaturas específicas para cada tipo de presente: o honmei-choko é destinado ao interesse romântico real, enquanto o giri-choko, ou chocolate obrigatório, passou a ser distribuído a colegas e supervisores como forma de cortesia.
Atualmente, o cenário está em nova fase de transformação. Surgiram tendências como o tomo-choko, trocado entre amigos, e o gyaku-choko, quando a ordem tradicional é invertida e o homem presenteia a mulher. Recentemente, especialistas apontam um crescimento notável do jibun-choko, o chocolate comprado para consumo próprio como um mimo pessoal. Em contrapartida, pesquisas de mercado indicam que o tradicional giri-choko está perdendo espaço, refletindo uma mudança na pressão social e uma busca por celebrações mais autênticas e menos obrigatórias.
Fonte: Nippon / Imagem: iStock




