Tóquio, Japão – Uma declaração do líder do Partido Conservador do Japão, Naoki Hyakuta, sobre a política de trabalhadores estrangeiros do governo tem gerado controvérsia. Ele vem afirmando que a primeira-ministra Sanae Takaichi pretende aceitar 1,23 milhão de trabalhadores estrangeiros nos próximos dois anos, informação que o próprio governo classifica como equivocada, segundo a agência Jiji Press.
O que foi definido pelo Executivo japonês não é o número de novos trabalhadores que ingressarão no país, mas sim o limite máximo de estrangeiros que poderão estar no Japão até o fim do ano fiscal de 2028, dentro de determinados tipos de visto que englobam apenas asiáticos.
Hyakuta fez a declaração na semana passada, durante campanha para a eleição da Câmara Baixa do Parlamento, em um discurso em frente à estação de Shimbashi, em Tóquio. Na ocasião, ele afirmou que Takaichi teria dito que o Japão receberia 1,23 milhão de trabalhadores estrangeiros em dois anos.
Dois dias depois, em seu canal no YouTube, Hyakuta reforçou a crítica, alegando que o governo estaria promovendo a imigração “em ritmo acelerado”, com mais de 600 mil pessoas por ano. O vídeo ultrapassou 150 mil visualizações em um dia.
No entanto, segundo o governo japonês, essa interpretação não corresponde aos dados oficiais. No dia 23, o Executivo estabeleceu que o limite máximo de estrangeiros com o visto de “Trabalhador Qualificado Específico – Tipo 1” (Tokutei Ginou 1) e do novo sistema de “trabalho com formação” (Ikusei Shuurou) — que substituirá o atual programa de estágio técnico — será de 1.231.900 pessoas até o fim do ano fiscal de 2028.
De acordo com dados oficiais, cerca de 330 mil estrangeiros asiáticos já estavam no Japão com visto de Trabalhador Qualificado Específico Tipo 1 até o fim de junho do ano passado, enquanto aproximadamente 450 mil permaneciam no país como estagiários técnicos. Esses números estão incluídos no teto máximo, e não representam novas admissões adicionais.
Diante da disseminação de informações consideradas enganosas, o governo publicou um vídeo explicativo em sua conta oficial na rede social X (antigo Twitter). No material, a ministra responsável pela política para estrangeiros, Kimi Onoda, esclareceu que o número divulgado pelo governo inclui os estrangeiros que já residem no país e serve apenas como limite máximo, não como meta de novas entradas.
“Imigrantes, não precisamos mais”
O Partido Conservador do Japão (Nihon Hoshutou/日本保守党) defende de forma enfática o endurecimento da política para estrangeiros, classificando o tema como um problema que pode deixar “uma sombra profunda e duradoura sobre o futuro do Japão”.
Em um programa da emissora BS Fuji, Hyakuta afirmou que a posição do partido não se trata de uma rejeição indiscriminada a todos os estrangeiros, mas sim de uma resposta a casos de imigração associada a irregularidades e crimes. Segundo ele, há estrangeiros que entram no país sem respeitar regras e costumes locais e acabam cometendo delitos no Japão.
Ao mencionar exemplos de países europeus que enfrentam dificuldades relacionadas à imigração, Hyakuta reforçou sua crítica e elevou o tom do discurso, declarando que o partido adotará como lema a frase “imigrantes, não precisamos mais”, ao defender uma revisão rigorosa da atual política para estrangeiros.




