Tóquio, Japão — No Japão, a loteria de fim de ano, conhecida como Nenmatsu Jumbo Takarakuji, é uma tradição que promete prêmios de até 1 bilhão de ienes. No entanto, o resultado de um bolão liderado por uma influenciadora digital e investidora, conhecida como Gohacchu-chan, viralizou nas redes sociais ao mostrar o abismo entre a probabilidade e a sorte.
Ao todo, 8.039 pessoas uniram forças para investir aproximadamente 36 milhões de ienes, adquirindo um volume impressionante de 119.975 bilhetes, de acordo com o portal Maido na News.
A ideia surgiu quase por acaso durante uma transmissão ao vivo no verão passado. Gohacchu-chan, que foca seu conteúdo em investimentos como ações e câmbio (FX), decidiu convidar seus seguidores para “viver um sonho coletivo”. Na edição de verão (Summer Jumbo), o grupo já havia investido 23 milhões de ienes, recuperando apenas 5,7 milhões.
Apesar do prejuízo anterior, o entusiasmo para o sorteio de fim de ano cresceu, atraindo inclusive “investidores de elite”. “A ideia era: um grupo com pessoas que já ganham dinheiro teria mais sorte e superaria as barreiras da probabilidade”, explicou a organizadora.
O resultado: um banho de realidade
Com quase 120 mil bilhetes em mãos, o grupo calculou que a chance de ganhar o prêmio principal era equivalente a sentar-se em uma máquina de pachinko e ganhar o prêmio máximo na primeira rodada. Infelizmente, a estatística não jogou a favor.
O grupo não conseguiu nenhum dos prêmios principais milionários. Foram apenas dois bilhetes de 100 mil ienes, 340 bilhetes de 10 mil ienes, além de milhares de prêmios de consolação (3.000 e 300 ienes), totalizando 10.579.800 ienes.
O saldo final foi um prejuízo de aproximadamente 25 milhões de ienes.
Nas redes sociais, as críticas foram ferozes, com usuários chamando a loteria de “imposto sobre os tolos” e questionando o sentido de dividir um prêmio grande entre tantas pessoas, o que resultaria em quantias irrisórias para cada um.
Gohacchu-chan, porém, defende a experiência. “Se falarmos apenas de dinheiro, foi um prejuízo. Mas mentalmente foi um ganho. Por um mês, 8 mil pessoas sentiram a euforia de ‘e se a gente ganhar?’. Por apenas 300 ienes, compramos uma sensação de festival escolar.”
Ela ainda brincou com o lado positivo da história: “Cerca de 40% da arrecadação das loterias vai para causas sociais, então podemos dizer que acumulamos ‘carma positivo’ através de uma doação. Além disso, todos os 8.039 participantes agora podem contar em churrascos que ‘já ganharam 10 milhões de ienes na loteria’ — omitindo apenas a parte que, na divisão, sobrou pouco mais de mil ienes para cada um”, concluiu rindo.




