Tóquio, Japão – A Agência da Criança e da Família do Japão divulgou nesta sexta-feira (26) a estimativa de quanto os contribuintes deverão pagar para o “Fundo de Apoio à Criança e à Criação dos Filhos” (Kodomo Kosodate Shien-kin/子ども・子育て支援金), medida que integra as políticas para enfrentar a queda da taxa de natalidade no país, informou a emissora Fuji TV.
A cobrança terá início em abril de 2026, por meio de uma taxa incluída no seguro de saúde (shakai hoken, kokumin kenko hoken e outros).
O novo fundo servirá como fonte de recursos para ações de apoio às famílias, incluindo a ampliação do auxílio-infância (jidou teate).
A arrecadação será feita de forma gradual e crescerá ao longo dos anos. Em 2026, o governo estima arrecadar cerca de 600 bilhões de ienes, valor que deve subir para 800 bilhões de ienes em 2027 e chegar a aproximadamente 1 trilhão de ienes em 2028, o que também elevará o valor pago pelos contribuintes.
Nas redes sociais, esse novo sistema tem gerado críticas porque beneficia diretamente apenas quem tem filhos. A taxa está sendo chamada de “imposto para solteiros”, apesar da cobrança afetar todos os indivíduos inscritos no seguro de saúde.
Segundo os cálculos divulgados nesta sexta-feira, com base nos dados mais recentes sobre o número de segurados, o valor médio da contribuição por mês em 2026 será de 500 ienes para pessoas inscritas no shakai hoken.
Para os segurados do sistema de saúde dos idosos com 75 anos ou mais, a média será de 200 ienes por pessoa. Já no kokumin kenko hoken, que inclui principalmente autônomos, a cobrança será de 300 ienes por família.
A agência também apresentou estimativas de acordo com a renda anual dos trabalhadores vinculados ao shakai hoken. Para quem recebe 2 milhões de ienes por ano, a contribuição mensal será de 192 ienes. No caso de renda anual de 4 milhões de ienes, o valor sobe para 384 ienes. Para 6 milhões de ienes, a cobrança estimada é de 575 ienes por mês; para 8 milhões de ienes, 767 ienes; e, para renda anual de 10 milhões de ienes, 959 ienes mensais.
O governo afirma que, paralelamente à introdução do novo fundo, serão realizadas reformas nos gastos da seguridade social, de forma que o aumento da contribuição seja compensado. Segundo o Executivo, isso significa que não haverá, na prática, aumento da carga financeira para os contribuintes com a implementação do sistema.
“Imposto para solteiros”
A repercussão do “Fundo de Apoio à Criança e à Criação dos Filhos” tem sido intensa nas redes sociais, com publicações que classificam a medida como uma espécie de “imposto para solteiros”, termo que ganhou força principalmente entre usuários críticos à nova cobrança.
Os recursos arrecadados serão destinados, entre outras medidas, à eliminação do limite de renda para o recebimento do auxílio-infantil e ao apoio financeiro de 100 mil ienes durante a gravidez e o parto, compondo parte do orçamento das políticas de combate à baixa natalidade.
Embora o governo destaque que não se trata de um imposto e que a contribuição não recai exclusivamente sobre pessoas solteiras, críticas se multiplicam nas redes.
Entre os argumentos mais frequentes estão afirmações de que a cobrança representa uma “aumento disfarçado de impostos”, por ser descontada automaticamente das contribuições sociais, e de que lares sem filhos ou pessoas solteiras não recebem benefícios diretos do sistema.
Conteúdos criticando a taxa se espalharam por redes como X, Threads, YouTube, TikTok e Instagram, gerando um debate público em torno da medida e da forma de financiamento das políticas de apoio à infância no Japão.




