Tóquio, Japão – O número de casos de bullying em escolas japonesas atingiu um recorde histórico de 769.022 no ano letivo de 2024, segundo o Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia (MEXT).
Além disso, os casos considerados “graves”, que causaram danos físicos ou psicológicos significativos, também chegaram ao maior número já registrado, segundo a emissora TBS
Bullying cresce pelo quarto ano consecutivo
De acordo com dados divulgados na quarta-feira (29) pelo ministério, o total de incidentes cresceu 5% em relação ao ano anterior, marcando o quarto aumento consecutivo desde a pandemia de Covid-19, quando os números haviam diminuído.
Os casos graves, que incluem situações em que o aluno ficou ferido, traumatizado ou deixou de frequentar as aulas, cresceram 7,6%, chegando a 1.405 registros.
O MEXT informou que todas as faixas escolares, do 1º ano do ensino primário (shougakkou) ao 3º do ensino médio (koukou), registraram aumento. O maior volume ocorreu entre alunos do 1º ao 4º ano do primário, com mais de 100 mil casos no período.
Formas mais comuns de bullying
O levantamento revelou que, em escolas regulares e de educação especial, o tipo mais comum de bullying envolve zombarias, provocações, apelidos ofensivos e ameaças verbais.
O ministério explicou que parte do aumento está ligada a maior conscientização entre professores e funcionários, que agora relatam com mais frequência os casos como “incidentes graves”.
Contudo, 34,9% dos casos graves (490 incidentes) só foram reconhecidos como bullying após se tornarem situações críticas, o que evidencia falhas na detecção precoce.
Um porta-voz do MEXT admitiu que “há professores que acabam enfrentando os problemas sozinhos, sem conseguirem respaldo de superiores”, e classificou essa realidade como um grande desafio.
Aumento de faltas e violência nas escolas
O número de alunos do ensino fundamental e médio que deixaram de frequentar a escola também subiu pelo 12º ano consecutivo, chegando a 353.970, o maior já registrado.
Apesar disso, a taxa de aumento caiu: foi de 2,2% em 2024, bem menor que os 15,9% registrados no ano anterior.
Os principais motivos apontados foram:
- Falta de motivação para a vida escolar (30,1%)
- Problemas na vida pessoal (25,0%)
- Ansiedade ou depressão (24,3%)
- Baixo desempenho no aprendizado e tarefas não entregues (15,6%)
Além disso, os atos de violência entre estudantes chegaram a 128.859 casos. Isso representa m aumento de 18,2% em comparação com o ano anterior, também um recorde histórico.
Situação “extremamente preocupante”, alerta governo
Um representante do MEXT afirmou que o país enfrenta uma “situação extremamente preocupante”, já que os casos de bullying grave, violência escolar e alunos ausentes atingiram níveis sem precedentes.
“Precisamos fortalecer a cooperação entre escolas, famílias e comunidades para proteger a saúde mental e o bem-estar das crianças”, declarou o porta-voz.




