Tóquio, Japão – O número de estrangeiros ilegais deportados com escolta oficial no Japão dobrou entre junho e agosto de 2025, alcançando 119 pessoas, em comparação com 58 no mesmo período do ano passado.
A Agência de Imigração do Japão divulgou os dados na sexta-feira (10).
Segundo o órgão, o aumento está ligado ao plano “Zero Ilegais”, lançado em maio, que intensifica a deportação de imigrantes em situação irregular.
A meta é reduzir pela metade, em cinco anos e meio, o número de estrangeiros que já têm ordem de deportação, mas se recusam a deixar o país — cerca de 3 mil pessoas de um total estimado de 70 mil imigrantes ilegais, segundo o jornal Sankei.
Estrangeiros que não seguem as regras
A agência afirmou que o objetivo é reforçar a segurança pública, alegando que “estrangeiros que não seguem as regras colocam em risco a tranquilidade dos cidadãos”.
Entre os 119 deportados com escolta no trimestre, 36 pessoas eram requerentes de refúgio pela terceira vez ou mais, além de criminosos condenados por delitos graves. Em termos de nacionalidade, os grupos mais numerosos foram:
- Turquia: 34 pessoas (cerca de 30%)
- Sri Lanka: 17
- Filipinas: 14
- China: 10
- Vietnã: 6
De janeiro a agosto, o total de deportações com escolta chegou a 203 pessoas. Isso inclui 38 solicitantes de refúgio reincidentes e 4 condenados a penas de prisão longas, sendo dois nigerianos, um srilanquês e um filipino.
O ministro da Justiça, Keisuke Suzuki, destacou que “os resultados já estão aparecendo”. Ele afirmou que reforçar as deportações com escolta pode estimular o retorno voluntário de estrangeiros em situação irregular.
Deportação de menores não viola tratados, diz governo japonês
Entre os deportados com escolta neste ano, sete eram menores de 18 anos, em muitos casos crianças que acompanharam os pais deportados.
A medida tem gerado críticas de organizações humanitárias, que afirmam ser desumano obrigar crianças nascidas e criadas no Japão — e que só falam japonês — a viver em um país que lhes é totalmente estranho.
A Agência de Imigração respondeu que as deportações seguem critérios legais, considerando individualmente fatores como vínculos familiares e laços com a comunidade local.
Segundo o órgão, os casos analisados envolvem pessoas que não foram reconhecidas como refugiadas nem receberam permissão especial de residência.
A agência também afirmou que o processo de deportação não viola a Convenção sobre os Direitos da Criança, pois se baseia na legislação japonesa vigente.
Em 2023, o então ministro da Justiça Ken Saito anunciou uma política que permitiu residência especial a 212 crianças nascidas no Japão e a 183 familiares, reconhecendo a necessidade de proteger menores que cresceram no país.




