Fukushima, Japão – Esta terça-feira (11) marca o 14º aniversário do Grande Terremoto e Tsunami do Leste, o maior abalo sísmico já registrado pelo país e o quarto maior em nível mundial desde o início do século 20. Além do tremor ter destruído casas, rachado rodovias e devastado cidades, ele foi seguido por um tsunami ainda mais mortal, levando embora vidas e colapsando uma usina nuclear. Desde então, o Japão vem revisando sua estratégia para lidar com um desastre desta proporção, publicou a NHK.
Naquela sexta-feira de 2011, às 14h46, o terremoto atingiu a magnitude impensável de 9.0, balançando praticamente todo o Japão. Recentemente, a Agência de Gestão de Incêndios e Desastres anunciou que o número de mortes relacionadas ao desastre aumentou em sete em relação ao ano passado, elevando o total de óbitos para 19.782, enquanto o número de desaparecidos chegou a 2.550.
Logo após o impacto do tremor, os alarmes dispararam, alertando os moradores da faixa litorânea sobre a chegada de um tsunami de mais de 10 metros de altura. As ondas não apenas ultrapassaram as barreiras construídas ao longo da costa, como também invadiram com grande força a Usina Nuclear de Fukushima Daiichi, em Fukushima, colapsando três reatores e provocando um desastre nuclear, forçando a retirada imediata de 160 mil pessoas que residiam nas imediações.
O desastre foi desencadeado por uma ruptura de falha maciça que se estendeu por 450 quilômetros de comprimento e 200 quilômetros de largura na costa do Pacífico do Japão. A falha estava se rompendo por cerca de três minutos.
Os estudiosos disseram que o tremor foi tão forte que até alterou a forma geográfica do Japão. A deformação da crosta continua a ocorrer mesmo 14 anos depois. Também afetou o centro geodésico do Japão ― um ponto de referência localizado em Tóquio que desempenha um papel importante no mapeamento. O terremoto o deslocou 27 centímetros para o leste.
Não muito distante dali o tremor afetou também moradores na Grande Tóquio, paralisando o sistema de transporte e deixando estações de trens e de metrô congestionadas, com cerca de 5,15 milhões de passageiros não conseguindo voltar para casa ou ir para o trabalho.

Desabrigados
Embora ocorram terremotos praticamente diários, com diversas magnitudes e intensidades, e o país seja conhecido por seus planos para lidar com as consequências de abalos sísmicos, naquele 11 de março de 2011 ficou claro que o Japão tinha ainda muitas frentes para resolver.
Escritórios de governos municipais costeiros e outros, que eram designados também como abrigos ou centros de assistência, foram devastados pelo tsunami. Pelo menos 28 prédios municipais em Tohoku ficaram inutilizáveis.
Logo após os primeiros abalos e a água do mar ter retraído, iniciou o drama dos que perderam suas casas e posses, que buscaram abrigo apenas com a roupa do corpo, enfrentando toda sorte de dificuldades, especialmente a falta de suprimentos. Para piorar, alguns abrigos sofreram surtos de gripe devido à superlotação e falta de divisórias.
Hoje, especialistas consideram necessário melhorar as condições dos centros de evacuação, garantindo banheiros limpos, fornecendo refeições quentes e criando um ambiente calmo e confortável para descanso, até para diminuir o número de óbitos.
Apesar de o número daqueles forçados a viver em centros de evacuação continue a diminuir, no dia 1º de fevereiro a Agência de Reconstrução informou que ainda existem 27.615 pessoas vivendo nessas condições.
Água e eletricidade
Após 14 anos, em uma pesquisa realizada pela emissora estatal NHK, as pessoas que vivenciaram o terror de perder tudo e ter de buscar abrigo em centros improvisados, comentaram sobre as prioridades das autoridades no atendimento às vítimas de desastre.
O levantamento foi feito com residentes em Iwate, Miyagi e Fukushima, com a participação de 1.000 pessoas, das quais 44% disseram que o mais importante após o tremor é restabelecer o fornecimento de água e eletricidade, enquanto 29% responderam que é preciso melhorar a evacuação para os abrigos.
Outras 24% comentaram que é preciso administrar melhor os centros de evacuação; 23% falaram sobre construir casas mais resistentes a tremores; e 21% acham importante transmitir rapidamente informações rápidas e precisas sobre a situação geral.
Um morador de 70 anos que vive em Miyako (Iwate), contou na pesquisa que naquela ocasião, ele foi forçado a viver sem água encanada por uma semana e sem eletricidade por um mês.
E como ocorre em todos os anos, nesta terça-feira deverão ser realizadas cerimônias em memória dos mortos, com os residentes parando suas atividades e guardando um minuto de silêncio no momento em que o tremor iniciou, às 14h46.
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