Tóquio, Japão – O terremoto de magnitude 5,9 que atingiu a região de Kanto na madrugada deste domingo (23) deixou ao menos 22 pessoas feridas, segundo um balanço atualizado divulgado pelo jornal Yomiuri às 9h18. O número ainda pode aumentar.
De acordo com a publicação, nove pessoas ficaram feridas em Saitama, oito em Kanagawa, quatro em Chiba e uma em Ibaraki.
A maioria sofreu ferimentos leves ao cair ou bater em móveis e portas depois de acordar assustada e se levantar durante o tremor. Em Yokohama, porém, uma idosa sofreu um ferimento grave na região do quadril.
Entre os demais casos estão pessoas que caíram dentro de casa ou em escadas e moradores que machucaram o rosto, os braços, as mãos ou os ombros. Não houve registro de mortes.
Tubulações rompidas e falta de energia
No distrito de Koto, em Tóquio, uma tubulação subterrânea se rompeu no bairro de Kiyosumi, provocando o alagamento de uma rua. O Departamento Metropolitano de Água investigava se o rompimento havia sido causado pelo terremoto.
Em Kawaguchi, na província de Saitama, água de uma tubulação também se espalhou por uma rua. No distrito de Adachi, policiais encontraram espuma do sistema de combate a incêndio de um supermercado sobre a pista, segundo um balanço da TV Asahi.
Cerca de 460 imóveis ficaram temporariamente sem energia no distrito de Meguro, em Tóquio. O fornecimento foi restabelecido durante a manhã, segundo a Tepco.
O terremoto também afetou o transporte ferroviário. De acordo com a NHK, trechos das linhas Keihin-Tohoku, Shonan-Shinjuku, Utsunomiya, Takasaki e Joban tiveram a circulação suspensa a partir do primeiro horário para inspeções de segurança. Houve atrasos em linhas locais e em trens expressos que atendem Tóquio e o Aeroporto de Narita. Os trens-bala continuaram operando normalmente.
Nenhuma anormalidade em instalações nucleares
A Autoridade de Regulamentação Nuclear informou que não houve alterações nos postos que monitoram os níveis de radiação nas proximidades da usina nuclear de Tokai Daini, em Ibaraki.
Também não foram identificadas novas anormalidades nas usinas de Fukushima Daiichi e Fukushima Daini, segundo a Tepco. Os níveis de radiação registrados nos arredores permaneceram estáveis.
Tremor ocorreu entre duas placas
De acordo com a Agência Meteorológica, o terremoto foi do tipo falha reversa e ocorreu na região de contato entre as placas do Pacífico e do Mar das Filipinas.
Nesse tipo de tremor, a pressão acumulada faz com que uma parte da crosta seja empurrada sobre outra. A análise preliminar indicou que a pressão atuou no sentido leste-oeste.
O professor Shinichi Sakai, do Instituto de Pesquisas de Terremotos da Universidade de Tóquio, explicou à NHK que o abalo ocorreu em uma área mais profunda associada à placa do Pacífico, que mergulha sob a região.
De acordo com o especialista, terremotos próximos de magnitude 6 ocorrem repetidamente nessa área. Como o foco estava relativamente profundo, as ondas sísmicas conseguiram se espalhar por uma região extensa, fazendo com que o tremor fosse sentido em grande parte de Kanto e também em áreas de Tohoku, Chubu e Kinki.
Sakai ressaltou que a ocorrência faz parte da atividade sísmica conhecida da região, mas alertou para a possibilidade de novos tremores de intensidade semelhante.
O centro-sul de Ibaraki é considerado uma das áreas com maior atividade sísmica de Kanto. Segundo a Sede de Promoção de Pesquisas sobre Terremotos, abalos de magnitude entre 5 e 6 ocorrem na região em intervalos de poucos anos devido à complexa sobreposição das placas.
Alerta para os próximos dias
A Agência Meteorológica informou que, até as 3h30, não ocorreu outro terremoto de intensidade 1 ou superior relacionado ao abalo principal.
Mesmo assim, o órgão pediu atenção para a possibilidade de um novo tremor de até 5 fraco durante aproximadamente uma semana, principalmente nos próximos dois ou três dias. De acordo com a agência, dados históricos indicam que a ocorrência de outro abalo de intensidade semelhante após um terremoto forte acontece em cerca de 10% a 20% dos casos.
Além disso, há risco maior de queda de pedras e deslizamentos em locais onde o tremor afetou o solo. A recomendação é evitar encostas e verificar se móveis, louças e outros objetos dentro de casa ficaram instáveis.




