Atualizado em: 03/04/2024 11:36
Fukushima, Japão – Treze anos depois do poderoso terremoto e tsunami ocorridos em 11 de março de 2011, cerca de 29 mil pessoas continuam evacuadas, publicou a Jiji Press.
O terremoto de magnitude 9, com intensidade máxima de 7, foi o mais alto já registrado no país, atingindo principalmente a região de Tohoku, com muitos municípios costeiros de províncias como Iwate, Miyagi e Fukushima, devastados por um tsunami que chegou a mais de 10 metros de altura.
Apesar de a tragédia ter ficado para trás, 29.328 pessoas ainda estão evacuadas, conforme dados de 1º de fevereiro deste ano, informou a Agência de Reconstrução.
A catástrofe deixou 15.900 mortos e 2.520 desaparecidos, mostram dados da Agência Nacional de Polícia.
O número de mortes por causas indiretas relacionadas com a catástrofe, como o agravamento de ferimentos e doenças, chegou a 3.802 no final de dezembro de 2023, conforme a Agência de Reconstrução.
Nesta segunda-feira (11) de manhã, as autoridades locais de Fukushima, Miyagi e Iwate realizarão cerimônias memoriais, com os participantes oferecendo orações silenciosas às vítimas do desastre às 14h46, horário exato em que ocorreu o terremoto naquele 11 de março de 2011.
O primeiro-ministro Fumio Kishida deverá participar de uma cerimônia organizada pelo governo da província de Fukushima, como fez no ano passado.
Usina nuclear
Além de todos os danos materiais e perdas de vidas, o desastre causou um colapso triplo sem precedentes na usina nuclear Daiichi de Fukushima, operada pela Tokyo Electric Power Company Holdings (TEPCO), levando o governo japonês a emitir ordens de evacuação aos residentes na província.
Devido ao risco de radiação, as ordem de evacuação permanecem em vigor em alguns municípios de Fukushima, impedindo os residentes evacuados de regressarem às suas cidades natais.
No mês de junho de 2023, o governo aprovou uma lei especial sobre medidas para reconstruir Fukushima, criando áreas de residência especificadas como zonas de difícil retorno.
As áreas especificadas destinam-se a ajudar os residentes a regressar mais cedo às suas casas através da implementação de medidas que incluem trabalhos de descontaminação.
Até agora esta medida tem sido aplicada em quatro cidades de Fukushima, como Okuma, Futaba, Namie e Tomioka, e estão em curso esforços para concretizar o levantamento das ordens de evacuação.
No mês de agosto de 2023, a Tepco iniciou a liberação no mar de água contendo trítio, uma substância radioativa da usina nuclear número 1 de Fukushima.
A água é diluída para reduzir os níveis de trítio para cerca de um sétimo do nível de orientação da Organização Mundial da Saúde para água potável.
A Agência Internacional de Energia Atômica considerou a liberação consistente com os padrões internacionais de segurança.
O descarte de água levará cerca de 30 anos para ser concluído, segundo a empresa.
Mas a decisão do Japão tem preocupado não apenas a indústria pesqueira, como também países vizinhos, como a China.
Um desafio para a TEPCO é remover restos de combustível dos reatores. A operadora pretende desmantelar completamente o local até 2051. Mas vários contratempos colocaram esse cronograma em questão.
Foto: Photo AC