Atualizado em: 03/04/2024 12:26
Tóquio, Japão – O verão deste ano será o mais quente que o Japão já registrou, segundo projeções meteorológicas, publicou o jornal Asahi.
No verão de 2023, a província de Yamanashi registrou a temperatura de 38°C, enquanto Itoigawa, na província de Niigata, observou 31,4°C, e Tóquio teve 27°C, num período que foi de julho a novembro, pegando a estação mais quente do ano e o outono.
O ano passado foi considerado um dos mais quentes em outras partes do mundo, mas a expectativa é de que o verão neste ano seja pior.
Os meteorologistas dizem que as temperaturas recordes de fevereiro deste ano – com máximas entre 18°C e 20°C na semana passada em grande parte do Japão, incluindo áreas do norte – são uma amostra agourenta em um ano que os especialistas dizem que será provavelmente o mais quente da história do Japão.
Os cientistas citam, entre outros fatores importantes, o fenômeno climático El Niño para as temperaturas recordes.
“Os nossos sistemas de previsão mostram que o El Niño diminuirá a partir desta primavera e desaparecerá no final do verão. Mas a energia restante do El Niño ainda precisará se dissipar e todo o calor que se acumulou ainda estará lá”, diz Takeshi Doi, pesquisador sênior do clima na Agência Japonesa para Ciência e Tecnologia Marinha-Terrestre (JAMSTEC).
O Monitor Europeu do Clima informou que novos recordes de temperatura foram estabelecidos nos meses entre junho de 2023 e janeiro de 2024. No Japão, a primavera, o verão e o outono trouxeram anomalias de temperatura acima da média de 1,6°C, 1,8°C e 1,4°C em todo o país, de acordo com o Agência Meteorológica.
A previsões indicam que o El Niño coincidirá com temperaturas médias mais elevadas devido às alterações climáticas nesta primavera, com consequências como neve pesada, que pode danificar infraestruturas, tornando ainda imprevisível o desabrochar das flores de cerejeira.
Outras consequências poderão ser colheitas fracas e orçamentos municipais reduzidos.
O fenômeno El Niño é um padrão climático em que o oceano Pacífico equatorial se torna excepcionalmente quente e ocorre a cada dois a sete anos.
Em geral, o fenômeno traz temperaturas mais altas da água e da superfície dos oceanos para o Japão e muitas vezes exerce a sua maior influência no clima do país após o seu término. Isso ocorre porque a energia restante do El Nino se dissipa no oceano Índico, que traz monções ao Japão durante a estação chuvosa.
Doi explica que o oceano Índico estará mais quente nesta primavera e verão, o que estimulará a estação chuvosa. “Precisamos ter muito cuidado com uma estação chuvosa excepcionalmente forte e uma primavera quente, já que o efeito do calor do ar atingirá seu pico nesta primavera”, disse.
Em outros locais do Japão os agricultores e as cooperativas agrícolas tentam preparar as suas colheitas para um verão de temperaturas brutais.
Em Otsu, na província de Shiga, foram registrados vários dias seguidos com temperaturas de 35°C ou mais no ano passado, fazendo com que fossem gerados grãos de arroz brancos turvos que não acumularam amido suficiente.
Além disso, o volume da colheita caiu de 10% a 20% entre os agricultores que não implementaram medidas de resistência ao calor, segundo Takayuki Tsukamoto, da Divisão de Promoção Agrícola de Mirai da província. Ele citou que a proporção de arroz de primeira qualidade (entre o arroz não resistente ao calor) caiu de 54,3% para 43,5%.” As plantações de soja também foram afetadas severamente.
A província de Shiga está promovendo sua nova variedade de arroz branco kiramizuki, que é resistente ao calor, menos vulnerável a ventos e chuvas de tufões, suave para o solo e rende quase 90% de arroz de primeira qualidade.
O arroz, normalmente disponível apenas em Shiga, estreou em Tóquio na loja de departamentos Mitsukoshi de Ginza no início deste mês.
Dados do Berkeley Earth indicam que vários fenômenos climáticos, como o El Nino, o ciclo solar, a erupção de vulcão submarino Hunga Tonga em 2022 e a redução da poluição por combustíveis marítimos contribuíram para o aumento das temperaturas na última década.
Ainda assim, uma coligação de grandes modelos climáticos prevê que 2024 será mais provavelmente mais quente do que 2023.
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