Atualizado em: 03/04/2024 16:28
Ishikawa, Japão – Os primeiros desabrigados pelo terremoto na península de Noto, na região de Ishikawa, começaram a deixar os abrigos para residir em moradias temporárias desde o sábado (3), noticiou o Asahi.
Na cidade de Wajima, em Ishikawa, uma empresa ergueu 18 unidades perto de um ponto turístico para abrigar 55 pessoas. Cada casa temporária tem vidraças triplas para proteger do frio intenso. O interior em madeira acrescenta um pouco de calor às residências.
Apenas na província de Ishikawa cerca de 50 mil casas foram danificadas no tremor, segundo dados oficiais, e 14 mil pessoas ainda estão em centros de evacuação.
Até o final de março o governo de Ishikawa pretende entregar 1.300 casas temporárias, mas alugará 4.300 apartamentos com o mesmo objetivo, sem falar no uso de 900 unidades habitacionais públicas para os evacuados.
O governo de Ishikawa pretende ainda alugar 3.700 apartamentos e oferecer um total de 8.400 unidades habitacionais públicas fora da província.
Os novos residentes das unidades temporárias ficaram felizes, por poderem contar novamente com conforto, mas tristes por tudo o que aconteceu.
20.000 voluntários
Até a sexta-feira (2), cerca de 20.000 pessoas se registraram como voluntárias para ajudar aos desabrigados ou onde for necessário.
Os primeiros voluntários começaram a chegar nas cidades de Nanao e Shika, e no sábado (3) também nas cidades de Suzu e Nakanoto. A partir deste domingo, eles irão para Wajima, Hakui e outras localidades.
Nesta semana alguns vídeos feitos por pessoas em Ishikawa mostraram a potência do tremor do dia 1º de janeiro, derrubando casas, rachando o solo, e o tsunami que invadiu terra firme, causando mais estragos.
Voluntários estão ajudando na remoção dos escombros. Eletrodomésticos, móveis e outros estão sendo transportados para um local de armazenamento temporário.
Milhares de militares
As Forças de Autodefesa do Japão enviaram 170.000 militares para as áreas atingidas pelo desastre para prestar apoio aos desabrigados, resgatando-os de áreas isoladas, levando mantimentos, e auxiliando nas obras em estradas danificadas, publicou a TV Asahi.
Segundo o Ministério da Defesa, aproximadamente 1.000 pessoas foram resgatadas e mais de 120 mil pessoas haviam conseguido tomar banho pela primeira vez depois do desastre.
Na Base Aérea de Komatsu da Força de Autodefesa Aérea, na cidade de Komatsu, em Ishikawa, estão 50 helicópteros usados no transporte de equipes de resgate da polícia e dos bombeiros, que não tinham rota de acesso, além de suprimentos de socorro e resgate de evacuados de áreas isoladas.
Crianças sob forte estresse
Queira ou não, o terremoto na península de Noto teve forte impacto na mente das crianças, que expressam isso com comportamento agressivo, segundo o World Vision Japan, com sede em Tóquio.
A organização sem fins lucrativos realizou um evento com crianças na cidade de Nanao três semanas após o tremor, para que as crianças pudessem brincar e relaxar, além de movimentar o corpo.
“Se os problemas não forem resolvidos rapidamente, eles se tornarão cicatrizes mentais”, alertou Fumiko Takahashi, do grupo World Vision Japan.
Uma mãe contou que sua filha, que está no primeiro ano do ensino fundamental, mudou depois do terremoto, acordando assustada a cada novo tremor, mesmo que leve.
Takahashi disse que as crianças, nestas condições, podem ter reações como enurese noturna, realizar brincadeiras de faz de conta que recriam situações de terremoto e recusa em deixar os pais, isso com base nas reações observadas em outros centros de evacuação.
Foto: Reprodução/ANN News




