Atualizado em: 03/04/2024 13:58
Tóquio, Japão – Japão registra recorde de professores que tiraram licença nas escolas públicas devido ao estresse e outros problemas de ordem mental. O total chegou a 6.539 no ano fiscal de 2022, período em que havia a pandemia de coronavírus, segundo um relatório do governo, noticiou a Kyodo News.
O relatório engloba professores de escolas primárias, ginasiais e colegiais, assim como outras, como para alunos com necessidades especiais, segundo o Ministério da Educação.
O total de professores que tiraram licença devido a doenças mentais oscilou em cerca de 5.000 nos últimos anos, mas aumentou em mais de 1.300 em dois anos desde o ano fiscal de 2020, quando iniciou a pandemia.
Estudiosos alegam que o aumento de professores nestas condições se deveu em parte ao aumento da carga de trabalho gerada pela pandemia, incluindo as medidas de prevenção à infecção e a tendência crescente de reclamação por parte dos pais de alunos.
Outro fator pode ser a escassez de professores, já que muitos jovens evitam ingressar na profissão por sua carga de trabalho pesada, segundo especialistas.
O ministério deverá promover uma reforma no estilo de trabalho, incluindo a redução da burocracia e a resolução de longas horas de trabalho para auxiliar os professores.
Do total de professores que tiraram licença, o maior número está entre aqueles na faixa dos 30 anos, com 1.867, seguido por 1.786 docentes na faixa dos 50 anos. Em seguida estão os professores com cerca de 40 anos de idade, com 1.598, e os de 20 anos de idade, com 1.288.
Violência sexual e castigos corporais
Mas a categoria esteve envolvida também em outros problemas. Em 2022, o total de professores punidos ou repreendidos por violência sexual foi de 242, permanecendo acima de 200 pelo décimo ano consecutivo, com os do sexo masculino representando 98% do total, mostrou o relatório.
Deste grupo, 119 foram punidos por ofensas contra estudantes, com 42 professores tendo relações sexuais com alunos, seguidos de 32 punidos por abuso sexual e 21 por voyeurismo.
Pelo menos 30% dos casos de má conduta foram cometidos durante o trabalho, incluindo o intervalo e durante as atividades escolares.
Há também outro grupo, dos docentes punidos por aplicarem castigos corporais nos alunos – outro grande problema envolvendo professores no Japão – que totalizou 397, um aumento de 54 em relação ao ano fiscal de 2021 e revertendo a tendência de queda, apontou o relatório.
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