Atualizado em: 03/04/2024 16:28
Suzu, Japão – Um mês após um grande terremoto que atingiu a província de Ishikawa e seus arredores no dia de Ano Novo, os moradores desabrigados estão enfrentando condições congelantes e insalubres, enquanto mais de 40 mil casas permanecem sem água corrente, informou a agência Reuters.
Em algumas áreas da isolada península de Noto, a restauração da água pode demorar mais dois meses, conforme informado pelo governo de Ishikawa, aumentando os riscos para aqueles que vivem em centros de evacuação apertados, onde infecções respiratórias e gastroenterites foram detectadas.
Yoshio Binsaki, um morador de 68 anos da cidade de Suzu, uma das mais afetadas pelo desastre, expressou a dificuldade de não ter água para lavar roupas ou tomar banho, enquanto se preparava para transportar um galão de água de 20 litros para sua casa.
No total até agora, 238 pessoas morreram e 19 continuam desaparecidas após o terremoto de magnitude 7.6, o mais mortal no Japão em oito anos, que também deixou 44.000 casas completamente ou parcialmente destruídas. Mais de 13.000 moradores estão vivendo em centros de evacuação, de acordo com o governo local.
Chisa Terashita, mãe de três filhos que evacuou de sua casa destruída em Suzu, mencionou que, imediatamente após o terremoto, ela e seu marido bebiam o mínimo de água possível para conservar o que tinham, enfrentando decisões difíceis sobre como racionar a água para manter a família saudável. Ela enfatizou a importância de lavar e desinfetar as mãos após usar o banheiro, dada a temporada propícia à rápida propagação de infecções.
O frio intenso também é um desafio, especialmente para muitos residentes que estão dormindo em seus carros após suas casas serem destruídas. A região foi atingida por neve pesada na semana passada, e as autoridades alertaram para o risco de deslizamentos de terra.
Mais de 900 mortes decorrentes do devastador terremoto de Kobe em 1995 ocorreram após o desastre, em parte devido à propagação da gripe e à falta de cuidados médicos nos centros de evacuação, segundo especialistas em saúde pública. As autoridades de Ishikawa planejam iniciar a vacinação de evacuados contra a gripe nesta quinta-feira (1).
Foto: Macsael Oda/Cedida




