Atualizado em: 03/04/2024 14:23
Tóquio, Japão – Uma pesquisa feita pelo governo revelou que 86,7% dos japoneses não veem a China como um país amigo. O levantamento foi divulgado na sexta-feira (19), enquanto as relações entre os dois países permanecem tensas em uma série de questões, publicou a Kyodo News.
A pesquisa foi feita entre 7 de setembro e 15 de outubro do ano passado, logo após a proibição total da China de importar pescados da costa do Japão, quando o governo japonês iniciou a descarga de água radioativa tratada da usina nuclear de Fukushima.
O total de 86,7% ultrapassou os 81,8% da pesquisa anterior, e foi até agora o percentual mais elevado desde que esse tipo de pesquisa começou a ser feito em 1978.
A China se opôs à descarga da água da usina no mar, enquanto o Japão criticou a proibição de importação, alegando que a liberação da água seguiu os padrões de segurança internacionais.
O Ministério das Relações Exteriores do Japão considera que os últimos acontecimentos elevaram o interesse da população com relação à China, como é o caso das repetidas invasões de navios chineses em águas próximas das ilhas Senkaku, administradas pelo Japão, mas reivindicadas por Pequim.
Ao mesmo tempo, a pesquisa mostrou uma melhora na visão do público com relação à Coreia do Sul, com 52,8% dos entrevistados considerando o país vizinho como “amigável”, acima dos 45,9% da pesquisa anterior, enquanto 46,4% agora não veem o país como amigável, o que ficou abaixo dos 53,7% do levantamento anterior.
A melhora pode ser creditada a alguns fatores, como a popularidade da música K-pop, mas também após o presidente Yoon Suk Yeol assumir posto em maio de 2022. O antecessor de Yoon, Moon Jae In, manteve as piores relações bilaterais entre os dois países em muitos anos, principalmente nas discussões sobre o domínio japonês na península coreana entre 1910 e 1945.
Na pesquisa, 95,3% dos japoneses consideram a Rússia como um país não amigável, um recorde pelo segundo ano consecutivo, desde que o presidente Vladimir Putin decidiu invadir a Ucrânia, com o Japão se opondo à guerra e impondo sanções econômicas a Moscou.
A pesquisa foi feita por correio com 3.000 japoneses com 18 anos ou mais e recebeu respostas válidas de 1.649, ou 55%. O governo começou a realizar pesquisas semelhantes em 1975 para ajudar a formular a sua política externa.
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