Atualizado em: 03/04/2024 16:31
Ishikawa, Japão – O poderoso terremoto no primeiro dia do ano na península de Noto, na província de Ishikawa, causou mais de 100 deslizamentos de terra e deixou estradas danificadas, segundo informação do jornal Yomiuri.
O dado obtido pelo jornal teve como base fotografias aéreas fornecidas por uma empresa.
Os deslizamentos de terra foram relatados em 99 locais, principalmente ao longo da estrada costeira de Wajima a Suzu, enquanto estradas danificadas também foram observadas em 25 locais na mesma área.
Neste sábado, a prefeitura de Anamizu informou que várias casas foram atingidas por um deslizamento de terra, como consequência dos terremotos na região.
As autoridades disseram que pelo menos 10 pessoas ficaram presas em uma delas, mas três foram encontradas depois e confirmadas mortas até agora.
Funcionários da prefeitura de Anamizu acreditam que as dez pessoas sejam parentes. Entre os 7 que ainda estariam presos há um menino de 8 anos, dois adolescentes, dois adultos na faixa dos 20 anos, e três na faixa dos 50 anos.
Em outra casa há quatro pessoas. Uma delas morreu e outras três estariam retidas, sendo um menino de 11 anos e duas pessoas na faixa dos 60 anos.
Vandalismo
Uma máquina de venda automática que fica próxima de um centro de evacuação em Anamizu foi atingida pelo terremoto na segunda-feira, mas depois teve seu conteúdo furtado, como bebidas e dinheiro, publicou o Yomiuri com base em uma testemunha ocular.
A testemunha disse que um grupo de cinco pessoas na faixa dos 40 aos 50 anos de idade entrou na Escola Secundária Anamizu, que funciona como centro de evacuação, na noite de segunda-feira, imediatamente após a ocorrência do terramoto.
O grupo disse que era uma emergência e usou o que pareciam ser motosserras para arrombar a máquina de venda automática e furtar bebidas e dinheiro.
Naquele momento pelo menos 100 desabrigados estavam no centro de evacuação.
Desaparecidos
A província de Ishikawa confirmou até às 11h deste sábado (6) que o total de mortos chegou a 100 devido ao terremoto. No início da tarde já eram 110 os mortos.
A Agência Meteorológica do Japão informou que é a primeira vez, desde o tremor de Kumamoto, em 2016, que mais de 100 pessoas perdem a vida em um abalo sísmico.
As cidades que mais registraram óbitos foram Wajima, com 59, e Suzu, com 23. Mais mortes ocorreram em Anamizu, Nanao, Shika, Noto e Hakui.
O governo da província tem procurado identificar as pessoas cujo paradeiro e segurança são desconhecidos, usando o Registro Básico de Residentes nas cidades de Wajima, Suzu, Anamizu, Nanao, Noto e Kanazawa. Até agora são 211 pessoas nestas condições.
Pelo menos 516 pessoas ficaram feridas na província de Ishikawa, incluindo ferimentos graves e leves. Em Niigata são 42, enquanto em Toyama são 41 pessoa. Fukui registrou seis feridos, e Gifu, uma.
Desabrigados
Um caminhão-tanque da Força de Autodefesa Terrestre levou um caminhão-tanque para um centro de evacuação em Suzu, com várias pessoas formando filas com garrafas de plástico.
As autoridades definiram que serão fornecidos 8 litros por pessoa.
A falta de água tem afetado seriamente 11 instituições médicas em Ishikawa. O Hospital Geral da cidade de Suzu e outras instalações não podem realizar diálise artificial devido a isso, e aproximadamente 140 pacientes foram transportados para hospitais em Kanazawa.
Enquanto isso, os terremotos se repetem continuamente. Um dos maiores foi registrado na manhã deste sábado, com magnitude 5,3 e intensidade 5+ em Anamizu.
De acordo com a Agência Meteorológica do Japão, 1.045 terremotos com intensidade sísmica igual ou superior a 1 foram observados nesta área entre a noite do dia 1º e às 8h deste sábado.
Tsunami
Especialistas do Instituto de Pesquisa de Terremotos da Universidade de Tóquio disseram que a altura estimada do tsunami foi de mais de 4 metros na península de Noto.
No dia seguinte ao tremor e ao tsunami, o grupo liderado pelo professor associado Tatsuya Ishiyama começou a pesquisar a costa noroeste da península.
Em suas análises, ficou claro que o tsunami atingiu a altura de 4,2 metros no porto de pesca de Akasaki, na cidade de Shika, onde a intensidade do tremor foi de 7.
O grupo levou em conta os vestígios do tsunami nas pareces dos edifícios e detritos encontrados na área.
Os estudiosos descobriram também que o solo subiu em vários pontos ao longo da costa, chegando a 25 centímetros no porto de Akasaki, mas atingindo 3 metros ou mais em vários pontos a cerca de 10 quilômetros ao norte.
Saúde deteriorando
Em vários centros de evacuação a situação alimentar tem melhorado aos poucos desde a chegada de suprimentos, mas não é suficiente. Muitos estão sofrendo de stress mental, o que aumenta com a deterioração das condições sanitárias com a falta de água.
Equipes médicas têm prestado socorro especialmente aos idosos, que reclamam de problemas de saúde e dores. Na cidade de Kawai, segundo a prefeitura, algumas pessoas morreram em razão do agravamento de doenças crônicas de que eram portadoras.
A prefeitura de Noto informou que está aumentando o número de desabrigados com gripe ou que estão se sentindo mal nos centro de evacuação, ao mesmo tempo em que pediu ajuda na sede da Gestão de Desastres da Prefeitura de Ishikawa.
Foto: Macsael Oda/Cedida




