Atualizado em: 03/04/2024 16:27
Tóquio, Japão – As primeiras ondas do tsunami gerado pelo poderoso terremoto de magnitude 7,6 registrado na segunda-feira (1), na península de Noto, em Ishikawa, atingiram a costa um minuto após, publicou a NHK.
A informação é de uma equipe de pesquisadores comandada pelo professor Fumihiko Imamura, do Instituto Internacional de Pesquisa em Ciência de Desastres da Universidade de Tohoku.
Eles usaram dados da Autoridade de Informação Geoespacial do Japão e do Serviço Geológico dos EUA para executar uma simulação sobre como o tsunami se espalhou.
Os pesquisadores estimam que o primeiro conjunto de ondas atingiu a cidade de Suzu cerca de um minuto após o terremoto e a cidade de Nanao dois minutos depois. Ambas estão na Península de Noto, no Mar do Japão.
Para os pesquisadores, o tsunami atingiu a cidade de Toyama, perto da península, cerca de cinco minutos após o terremoto.
Na simulação feita pelos especialistas indica que o tsunami se espalhou para o norte e oeste do Japão, com mais ondas atingindo a península por muitas horas.
100 hectares em dois municípios
Pelo menos 100 hectares em dois municípios da província de Ishikawa foram atingidos pelo tsunami que se seguiu ao poderoso terremoto de magnitude 7,6 ocorrido na segunda-feira (1), noticiou a NHK.
A análise do impacto do tsunami foi feito pelo Ministério da Terra nas cidades de Suzu e Noto, na península de Noto, na costa do Mar do Japão, usando imagens aéreas fornecidas por um helicóptero de resgate da província.
Entre as áreas inundadas estão 15 hectares do porto de Iida, na cidade de Suzu, e 27 hectares em Nunoura e Kurikawashiri, na cidade de Noto.
A extensão dos danos às casas ou a profundidade das inundações permanece desconhecida.
Funcionários do ministério dizem que a verdadeira extensão das inundações provavelmente será maior.
Origem do terremoto
Especialistas em terremoto disseram que o poderoso terremoto de magnitude 7,6 ocorreu em uma falha que teria se deslocado por cerca de 150 quilômetros do ponto mais ocidental da península de Noto para uma área no Mar do Japão, perto da Ilha Sado, na província de Niigata, a leste da província de Ishikawa.
A sequência de terremotos em Noto, porém, começou em dezembro de 2020, em uma área de 30 quilômetros quadrados ao redor da cidade de Suzu, no extremo norte da península de Noto.
O professor de engenharia sísmica na Universidade de Quioto, Hiroyuki Goto, disse que um sismógrafo do Instituto Nacional de Pesquisa para Ciências da Terra e Resiliência a Desastres em Wajima, província de Ishikawa, aparentemente registrou uma forma de onda de um “pulso sísmico de longo período”, indicando a ruptura da falha.
As ondas sísmicas em intervalos de 1 a 2 segundos podem danificar edifícios baixos a médios, como casas de madeira e também foram registadas por sismógrafos na península de Noto.
Os especialistas dizem que tantos edifícios desabam em razão dessas ondas sísmicas.
O pesquisador Yukinobu Okamura, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Industrial Avançada, que estuda terremotos, disse que o tremor de 1º de janeiro pode ter sido desencadeado por uma falha ativa no fundo do mar.
Os especialistas, porém, ainda não entendem a relação direta entre a sequência de tremores em Noto há três anos e o poderoso abalo deste início de ano. Mas acreditam que a ruptura da falha começou na área onde ocorreram os terremotos e se espalhou por uma área mais ampla.
“Em áreas onde ocorrem frequentemente atividades sísmicas de pequena escala, a probabilidade de terremotos de média a grande escala aumenta”, disse Shinji Toda, professor de geologia sísmica na Universidade de Tohoku.
Foto: Reprodução