Tóquio, Japão – O governo japonês encerrou nesta segunda-feira (27), às 17h, o período de “atenção especial” para possíveis novos grandes terremotos após o forte tremor de magnitude 7,7 registrado no nordeste do país há uma semana. Apesar disso, as autoridades pedem à população que mantenham cautela, informou a emissora NHK.
Em coletiva realizada logo após o fim do período, a Agência de Gestão de Desastres e a Agência Meteorológica do Japão reforçaram que a possibilidade de um grande terremoto não desapareceu. “O período de atenção especial terminou, mas isso não significa que o risco deixou de existir”, afirmou o representante do gabinete, Kota Iwamura.
Segundo ele, há casos em que grandes terremotos ocorrem até mesmo após uma semana do evento principal. Existem também situações em que abalos fortes surgem de forma repentina — como o registrado na madrugada desta segunda-feira em Hokkaido.
Diante da proximidade do feriado de Golden Week, o governo pediu que a população redobre os cuidados, inclusive durante viagens. A orientação inclui verificar rotas de evacuação, locais seguros e mapas de risco também nos destinos visitados.
Atividade sísmica ainda elevada
A Agência Meteorológica destacou que, embora a probabilidade de um terremoto de mesma magnitude tenha diminuído com o passar do tempo, a região segue com atividade sísmica acima do normal. Esse cenário que pode persistir por um período prolongado.
O diretor da divisão de monitoramento sísmico, Hiroshi Ueno, alertou ainda para riscos adicionais nas áreas mais atingidas pelo tremor do dia 20. “Em locais onde o abalo foi mais forte, há maior risco de queda de rochas e deslizamentos. É fundamental ter atenção redobrada, especialmente em caso de chuva ou durante trabalhos de recuperação”, disse.
Histórico preocupa autoridades
A região já enfrentou situações semelhantes no passado. Em 1994, um terremoto de magnitude 7,6 ocorreu na costa de Sanriku, seguido por um forte abalo secundário dez dias depois, que causou novos danos.
Além disso, especialistas lembram que tanto a Fossa das Curilas quanto a Fossa do Japão são áreas com potencial para grandes terremotos a qualquer momento, o que reforça a necessidade de preparação contínua.
No dia 20 deste mês, um terremoto de magnitude 7,7 atingiu o mar de Sanriku, provocando tremores de intensidade 5 forte na escala japonesa em Aomori e gerando um tsunami de até 80 centímetros no porto de Kuji, em Iwate.
Apesar de nenhum novo grande terremoto ter sido registrado durante o período de alerta, o governo manteve o tom de cautela ao encerrar oficialmente a medida, que abrangia 182 municípios entre Hokkaido e a província de Chiba.
Risco pode durar meses
Para especialistas, o fim do alerta não significa redução imediata do risco. O professor Takuya Nishimura, do Instituto de Pesquisa em Prevenção de Desastres da Universidade de Quioto, afirma que a atividade sísmica pode permanecer elevada por um período prolongado.
“Não é porque uma semana passou que o risco diminui de repente. É possível que a atividade continue intensa por cerca de seis meses”, explicou.
Ele também demonstrou preocupação com possíveis impactos indiretos em outras áreas. “Mesmo regiões mais afastadas, como a costa de Hokkaido, podem ser influenciadas por essa sequência de atividades sísmicas”, afirmou.
Ao final, o recado foi reforçado pelas autoridades e especialistas. A população deve manter os cuidados e não baixar a guarda diante de um cenário que ainda inspira atenção.




