Tóquio – O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Tóquio realizará na sexta-feira (12) uma reunião para discutir o comentário considerado sexista feito pelo presidente Yoshiro Mori, publicou a NHK.
Em reunião online realizada na semana passada, Mori havia dito que as reuniões do conselho com as mulheres demoram muito porque elas falam demais.
Desde então, Mori tem sido alvo de críticas e de pedidos para que se demita, o que ele tem se recusado a fazer.
Agora o comitê quer ouvir membros da diretoria executiva e dos conselheiros, mas não foi divulgado com qual objetivo, se será tomada alguma decisão a respeito.
O conselho executivo costuma decidir sobre temas importantes, inclusive a nomeação do presidente do Comitê, e é composto por especialistas do setor esportivo e empresarial, além de políticos. Mori deverá participar.
Mesmo que Mori tenha se retratado no dia seguinte, o tema central do comentário é um ponto no qual o Japão recebe muitas críticas, que é a igualdade de gênero.
O próprio comitê emitiu uma nota intitulada “Tóquio 2020 e Igualdade de Gênero” em seu site no domingo, dizendo que as declarações de Mori eram inadequadas.
VOLUNTÁRIOS
Como consequência da fala de Mori, cerca de 390 voluntários que iriam trabalhar nos jogos olímpicos e paraolímpicos desistiram de seus cargos, segundo o Comitê informou na segunda-feira (8).
Outras duas pessoas programadas para participar do revezamento da tocha olímpica também desistiram, e a central telefônica do comitê recebeu 350 ligações e 4.200 e-mails num período de cinco dias todos relacionados ao comentário de Mori.
Em pesquisa realizada pela Kyodo News no domingo, 59,9% dos entrevistados dissera que Mori “não está qualificado” para o cargo.
No levantamento feito por telefone, 32,8% disseram que não sabem, e 6,8% responderam que o presidente do Comitê Olímpico está “qualificado” para ocupar a função.
PEÇA IMPORTANTE
O fato é que membros do governo e do setor esportivo não se manifestaram nos pedidos pela renúncia de Mori, o qual é considerado altamente influente e visto como fundamental para a realização dos jogos, segundo publicou a Kyodo News.
Nomeado pelo então primeiro-ministro Shinzo Abe em 2014, considera-se a capacidade de ex-primeiro-ministro na condução do comitê.
Ele foi essencial na superação dos obstáculos na preparação dos jogos, especialmente com relação ao adiamento em razão da pandemia, e na mudança da maratona para Sapporo em razão do calor extremo previsto durante a realização da prova.
Uma fonte disse à Kyodo o seguinte: “Se ele renunciar, não haverá Olimpíadas. Precisamos que ele continue, custe o que custar.”
Foto: Reuters