Washington – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quarta-feira (2) um “tarifaço” global sobre impostos de importação. A data foi nomeada pelo republicano como o “Dia de Libertação”. Ele confirmou uma taxa de 24% para os produtos japoneses e 10% para os brasileiros.
Trump prometeu implementar tarifas recíprocas a países que cobram taxa de importação de produtos americanos. Ele anunciou tarifa de 20% sobre a União Europeia, 34% sobre a China e 46% sobre o Vietnã, entre outros países.
O presidente confirmou ainda uma taxa de 25% sobre todos os veículos importados.
Em transmissão da Casa Branca, ele disse que a aplicação das tarifas aos outros países “é uma medida gentil” que tornará os “Estados Unidos grande novamente”.
Segundo Trump, as tarifas recíprocas serão de ao menos metade da alíquota cobrada pelos outros países, com uma taxa mínima de 10%.
No anúncio, ele fez críticas aos governos passados, em especial a administração de Joe Biden, por terem deixado outros países aplicarem elevadas taxas aos produtos norte-americanos, impactando a indústria nacional. Segundo ele, esses países “estão roubando” e “levando vantagem” dos EUA.
Trump critica Japão
Trump criticou o Japão, dizendo que o país impõe uma tarifa de 700% sobre o arroz americano. “O Japão é um país muito duro e seu povo é incrível. Não os culpo por isso, pois são inteligentes”, disse
O presidente também criticou as barreiras comerciais de países como Japão e Coreia do Sul. “Talvez o pior problema sejam as restrições não monetárias impostas por esses países. Na Coreia do Sul, 81% dos carros vendidos são coreanos. No Japão, esse número sobe para 94%. Enquanto isso, a Toyota vende 1 milhão de carros estrangeiros nos EUA, mas a General Motors e a Ford quase não vendem nada no Japão. Nenhuma empresa americana tem permissão para se expandir nesses países.”
Trump concluiu afirmando que esse desequilíbrio prejudica a base industrial dos Estados Unidos e coloca a segurança nacional em risco.
Impacto das tarifas sobre o Japão
O Japão é um dos principais exportadores para os EUA, e as novas tarifas terão um grande impacto. A tarifa adicional de 25% sobre os automóveis japoneses entra em vigor nesta quinta-feira (3), afetando não apenas grandes montadoras, mas também pequenas e médias empresas do setor.
Ainda não há detalhes sobre quais produtos serão atingidos pela “tarifa recíproca”, mas outros setores vulneráveis incluem máquinas para construção e mineração, equipamentos ópticos, dispositivos para fabricação de semicondutores e produtos agrícolas e alimentícios.
O crescimento das exportações japonesas nesses setores pode ser prejudicado.
Especialistas estimam que a tarifa sobre automóveis pode reduzir o PIB japonês em aproximadamente 0,2%. Como o crescimento real do PIB japonês no ano passado foi de apenas 0,1%, o impacto pode anular todo o crescimento econômico do período.
Até agora, o Japão era considerado um país com tarifas relativamente baixas em comparação com outras nações. No entanto, Trump alegou que as barreiras não tarifárias do Japão equivalem a uma taxa de 46%, surpreendendo especialistas. O governo japonês pretende analisar essa alegação e buscar negociações com os EUA.
Brasil pode recorrer à OMC
O Brasil não descarta a possibilidade de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o tarifaço dos Estados Unidos, informaram os ministérios das Relações Exteriores (Itamaraty) e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
No entanto, a prioridade do governo brasileiro neste momento é negociar a reversão das medidas anunciadas pelo presidente norte-americano.
“Ao mesmo tempo em que se mantém aberto ao aprofundamento do diálogo estabelecido ao longo das últimas semanas com o governo norte-americano para reverter as medidas anunciadas e contrarrestar seus efeitos nocivos o quanto antes, o governo brasileiro avalia todas as possibilidades de ação para assegurar a reciprocidade no comércio bilateral, inclusive recurso à Organização Mundial do Comércio, em defesa dos legítimos interesses nacionais”, destacaram as duas pastas, em nota conjunta.
O comunicado lembrou que as medidas de Trump violam as regras da OMC. O texto também ressaltou a aprovação pelo Congresso Nacional, em caráter de urgência, do projeto de lei que autoriza o Brasil a retaliar países ou blocos que imponham barreiras comerciais a produtos do Brasil, a chamada Lei da Reciprocidade.
Segundo o Mdic e o MRE, a sobretaxação de 10% para os produtos brasileiros impactará todas as exportações do país para os Estados Unidos, o segundo maior parceiro comercial do Brasil. O governo pretende atuar em conjunto com as empresas dos setores afetados para defender os interesses comerciais do país.
Veja algumas das tarifas anunciadas por Trump
China 34%
União Europeia 20%
Vietnã 46%
Taiwan 32%
Japão 24%
Coreia do Sul 25%
Tailândia 36%
Suíça 31%
Indonésia 32%
Reino Unido 10%
África do Sul 30%
Brasil 10%
Bangladesh 37%
Singapura 10%
Israel 17%
Filipinas 17%
Chile 10%
Austrália 10%
Paquistão 29%
Turquia 10%
Sri Lanka 44%
Colômbia 10%
Foto: Reprodução/Fox




