Manila – O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, ameaçou prender as pessoas que se recusarem a ser vacinadas contra o coronavírus, no momento em que o país enfrenta um dos piores surtos da Ásia, com mais de 1,3 milhão de casos e mais de 23 mil mortes.
“Vocês escolhem, ou a vacina ou mando prender vocês”, disse Duterte em um pronunciamento televisionado na segunda-feira (21), após reportagens sobre o comparecimento baixo em vários postos de vacinação da capital Manila.
Os comentários de Duterte contradizem aqueles de suas autoridades de saúde, que dizem que, embora se peça às pessoas que recebam a vacina contra Covid-19, o gesto é voluntário.
“Não me entendam mal, há uma crise neste país”, disse Duterte. “Só estou exasperado de os filipinos não estarem ouvindo o governo.”
Até o dia 20 de junho, as autoridades filipinas haviam vacinado 2,1 milhões de pessoas, um progresso lento rumo à meta governamental de imunizar até 70 milhões de seus 110 milhões de habitantes neste ano.
Duterte, criticado por sua abordagem dura na contenção do vírus, também manteve a decisão de não permitir que as escolas reabram.
No mesmo pronunciamento, ele atacou o Tribunal Penal Internacional porque um promotor da corte pediu permissão para abrir um inquérito completo sobre as mortes decorrentes da guerra às drogas nas Filipinas.
Grupos de direitos humanos dizem que autoridades executam sumariamente suspeitos de envolvimento com drogas, mas Duterte insiste que aqueles que morreram violentamente resistiram à prisão.
VACINAS NO MUNDO
A Casa Branca apresentou na segunda-feira um plano para distribuir 55 milhões de doses de vacinas contra Covid-19 dos Estados Unidos para diversos países do mundo, com cerca de 75% das doses alocadas para América Latina e Caribe, Ásia e África por meio do programa internacional de compartilhamento de imunizantes Covax.
O Brasil está na lista de países que vai receber doses via Covax.
O plano cumpre um compromisso do presidente Joe Biden de compartilhar 80 milhões de doses de vacinas produzidas nos Estados Unidos com países ao redor do mundo. O presidente apresentou as prioridades para as primeiras 25 milhões de doses no início deste mês.
Das 55 milhões de doses restantes, cerca de 41 milhões serão compartilhadas por meio do Covax, disse a Casa Branca, com aproximadamente 14 milhões indo para a América Latina e o Caribe, cerca de 16 milhões para a Ásia e cerca de 10 milhões para a África.
Os outros 25%, ou cerca de 14 milhões de doses, serão compartilhados com “prioridades regionais”, incluindo Colômbia, Argentina, Iraque, Ucrânia, Cisjordânia e Gaza.
A porta-voz da Casa Branca Jen Psaki disse que os Estados Unidos enfrentam problemas logísticos para levar as vacinas a outras nações.
“Anunciamos hoje para onde essas doses estão indo. Continuaremos divulgando à medida que chegam aos países e como estão sendo enviadas, e estamos ansiosos para fazer isso o mais rápido possível”, afirmou ela.
REMDESIVIR REDUZ RISCO
A Gilead Sciences Inc. disse que uma análise mostrou que seu antiviral Remdesivir reduziu as taxas de mortalidade em pacientes hospitalizados com Covid-19 e aumentou a probabilidade de alta no 28º dia após um curso de cinco dias de tratamento.
A farmacêutica disse na segunda-feira que analisou dados de 98.654 pacientes de três estudos retrospectivos de tratamento real de pacientes hospitalizados com Covid-19.
O Remdesivir alcançou uma redução estatisticamente significativa de 54% e 23% no risco de mortalidade entre os pacientes analisados em dois dos estudos, disse a empresa. Os dados foram apresentados no World Microbe Forum (WMF) nesta semana.
A Gilead disse que os resultados foram observados de forma consistente em diferentes períodos durante o curso da pandemia e em todas as geografias.
O Remdesivir foi aprovado para uso emergencial em pacientes graves nos Estados Unidos, Índia e Coreia do Sul, e recebeu aprovação total no Japão.
VACINAÇÃO NA ÍNDIA
A Índia iniciou na segunda-feira uma campanha de âmbito nacional de administração de vacinas contra Covid-19 gratuitas a todos os adultos e atingiu recorde de 5 milhões de doses, depois de semanas de críticas segundo as quais uma distribuição caótica provocou escassez aguda e intensificou uma segunda onda mortal que matou centenas de milhares em abril e maio.
No início deste mês, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, reverteu uma diretriz que instruía os Estados a fazerem suas próprias encomendas às farmacêuticas e a administrar doses a pessoas de 18 a 45 anos juntamente com hospitais particulares.
Como a maioria dos Estados está fechando centros de vacinação para a população mais jovem alegando escassez, uma maioria procurou hospitais particulares que cobravam de 9 a 24 dólares por dose, e as defasagens de suprimentos entre áreas urbanas e rurais aumentou.
O país está usando doses da vacina AstraZeneca fabricadas domesticamente e a Covaxin da empresa indiana Bharat Biotech. O governo indiano está tentando obter vacinas estrangeiras, como a da Pfizer, e descartou regras rígidas para permitir importações mais rápidas.
Especialistas alertam para uma possível terceira onda, já que somente cerca de 5% de todas as 950 milhões de pessoas autorizadas está totalmente inoculada com duas doses, apesar de as infecções diárias terem caído neste mês.
Na últimas 24 horas, a Índia relatou 53.256 infecções, a menor cifra desde 24 de março. As infecções atingiram um pico de cerca de 400 mil por dia em maio, e as mortes dispararam para cerca de 170 mil em abril-maio.
Como a maioria das cidades começa a suspender as restrições de lockdown, especialistas alertam que uma reabertura rápida poderia complicar o programa de vacinação – que precisa ser ao menos quatro vezes mais veloz.
As vacinações diárias atingiram um pico de 4,5 milhões no dia 5 de abril, mas desde então diminuem acentuadamente. Nos últimos 30 dias, a Índia aplicou uma média de 2,7 milhões de doses por dia.
Em Maharashtra, Estado do oeste que foi o mais atingido pela segunda onda, autoridades disseram que pessoas de 30 a 45 anos serão uma prioridade agora que os suprimentos escasseiam.
“Temos um estoque suficiente, que esperamos durar pelos próximos três a quatro dias, mas não vislumbramos suprimentos de estoque depois disso”, disse Santosh Revankar, autoridade de saúde de alto escalão do organismo civil de Mumbai, à Reuters.
O Estado permitiu que alguns negócios voltem a funcionar e suspendeu parcialmente as restrições ao transporte público, mas mantendo toques de recolher nos finais de semana em algumas cidades.
POBRES
Mais da metade dos países mais pobres que recebem vacinas contra Covid-19 por meio do programa de compartilhamento de imunizantes Covax não tem suprimentos suficientes para continuar suas vacinações, disse uma autoridade da Organização Mundial da Saúde (OMS), que coadministra o mecanismo, nesta segunda-feira.
“Eu diria que, dos 80 países do AMC (Covax), ao menos bem mais da metade deles não teria vacinas suficientes para poder sustentar seus programas neste momento”, disse Bruce Aylward, conselheiro sênior da OMS, em uma entrevista coletiva, referindo-se a um compromisso avançado de mercado para países de baixa e média renda, dizendo que a porção real provavelmente é “muito mais alta”.
Ele acrescentou que alguns deles estão sem nenhum estoque.
A escassez, causada em parte por atrasos de fabricação e transtornos no suprimento da Índia, ocorre no momento em que casos e mortes aumentam em toda a África em meio a uma terceira onda de infecções.
Foto: Reuters
Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, em Manila