São Paulo – O Estado de São Paulo adotará restrições à circulação de pessoas entre 20h e 5h e fechará estabelecimentos comerciais como lojas de material de construção de 15 a 30 de março, além de suspender atividades religiosas e esportivas, incluindo jogos de futebol.
O governador João Doria (PSDB) esclareceu que o chamado “toque de recolher” é uma restrição, não uma proibição, e que a medida não afetará funcionários que trabalham à noite em estabelecimentos como farmácias e supermercados — que seguem autorizados a operar normalmente, mesmo durante o período de restrição.
“Isso é restrição, não é proibição. Repito, não é lockdown. Se alguma pessoa que trabalha à noite, que trabalha de madrugada, ou por circunstância tem que se deslocar, ela pode fazê-lo, não há impedimento para que ela possa fazer isso, nem faz sentido. Aliás, é um direito constitucional ir e vir, nós não estamos em estado de sítio nem em uma situação de guerra”, disse Doria.
O secretário de Saúde do Estado, Jean Gorinchteyn, disse que São Paulo vive a pior crise sanitária de sua história e que 53% dos municípios paulistas estão com ocupação de leitos de unidades de terapia intensiva (UTI) em 100%.
“Esse é o momento mais difícil da pandemia que enfrentamos no nosso Estado”, disse Gorinchteyn. “O nosso Estado enfrenta uma das maiores, se não a maior crise sanitária de todos os tempos. Nem a gripe espanhola assolou tantas vidas e não teve uma repercussão tão dramática e por período tão prolongado como a da Covid em nosso meio”, acrescentou.
Ele fez ainda a avaliação de que o momento atual da pandemia é diferente da que foi visto no ano passado e citou que, atualmente, algumas UTIs têm 50% de ocupação tomada por pessoas com menos de 50 anos, quando até então a predominância era de idosos.
O coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo, o médico Paulo Menezes, disse que o objetivo das medidas é atingir um isolamento social pela população paulista de 50%.
Ele disse ainda que na nova fase do plano estadual de quarentena ficam proibidos qualquer tipo de aglomeração, o funcionamento de escritórios de setores não essenciais. Na educação, a rede estadual antecipará os recessos previstos para abril e outubro para o período de vigência da nova fase e o governo recomenda que as redes privadas e dirigidas pelos municípios façam o mesmo.
“A situação continua piorando e nós precisamos aumentar o distanciamento, medido através do isolamento social. Foi nesse sentido que nós sugerimos medidas que pudessem elevar o isolamento social da população para mais de 50%”, disse Menezes.
De acordo com a Secretaria de Saúde de São Paulo, o Estado registrou 2.164.066 casos de Covid-19, com 63.010 mortos. A ocupação dos leitos de UTI no Estado está em 87,6%.
MAIS DE 2 MIL MORTES NO BRASIL
O Brasil voltou a ultrapassar na quinta-feira a marca de 2 mil mortes por Covid-19 em um único dia, com a contabilização de 2.233 novos óbitos, o que eleva o total de vítimas fatais da doença no país a 272.889, segundo o Ministério da Saúde.
A cifra de mortes desta quinta é a segunda maior desde o início da pandemia, ficando abaixo somente da registrada na véspera, de 2.286 óbitos, quando o Brasil superou pela primeira vez o patamar dos dois milhares.
Com isso, a média móvel de 14 dias das mortes por Covid-19 no país saltou para 1.530, renovando seu recorde.
O ministério também informou o registro de 75.412 novos casos de coronavírus, com o total de infecções confirmadas no Brasil atingindo 11.277.717.
Em seu pior momento da pandemia, com uma disparada nas contaminações e mortes e sobrecargas em sistemas de saúde, o Brasil é o segundo país com maior número de óbitos por coronavírus no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, e o terceiro em termos de casos, abaixo dos EUA e da Índia.
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