Tóquio, Japão – Muitos hospitais no Japão ficaram sobrecarregados devido ao aumento de casos de Covid-19 no país e as pessoas com febre e outros sintomas não estão conseguindo fazer exame ou obter atendimento médico.
Em Kanagawa, por exemplo, 96% dos leitos para pacientes com Covid-19 estão ocupados, segundo a emissora NHK. Esse índice chega a 83% em Shizuoka e 76% em Aichi. O governo considera um sistema sobrecarregado quando a ocupação de leitos passa de 50%.
Desde a semana passada, o Ministério da Saúde está pedindo às pessoas com sintomas leves de Covid-19 que não se apressem em consultar um médico se tiverem menos de 65 anos e não tiverem condições médicas subjacentes.
A orientação do governo é de que quem tiver sintomas leves deve fazer o teste por conta própria, buscando kits gratuitos ou pagos em farmácias ou procurando um posto que oferece exames de graça. Em caso de resultado positivo, as pessoas devem comunicar as autoridades de saúde e ficar isolado em casa se recuperando.
“Estamos pedindo cooperação pública na alocação eficiente de recursos médicos limitados para garantir que os mais necessitados possam ter acesso imediato aos serviços de saúde”, disse o então ministro da Saúde, Shigeyuki Goto, que nesta quarta-feira foi substituído em uma reforma do gabinete.
O mesmo pedido foi feito pela Associação Japonesa de Doenças Infecciosas e três outros grupos médicos.
A declaração descreve conselhos de especialistas sobre quando as pessoas suspeitas de terem contraído o coronavírus devem usar serviços de atendimento de emergência ou serviços ambulatoriais para pessoas com febre.
Segundo o Ministério da Saúde, aqueles com sintomas leves não devem se apressar em ir a um hospital para fazer testes ou receber medicamentos, a menos que tenham mais de 65 anos, doenças crônicas ou estejam grávidas.
A declaração também aconselha chamar uma ambulância se o paciente estiver pálido, inconsciente ou tiver dificuldade para respirar depois de se mover um pouco.
Em Tóquio, muitas pessoas não estão conseguindo fazer o teste. O governo da capital tinha dito anteriormente que poderia fazer 100 mil exames por dia, mas a média diária foi de 33 mil no final de julho.
“Temos que limitar o número de pessoas que podem fazer o teste, mas sabemos que é nosso dever atender o maior número possível de pacientes”, disse Susumu Kato, chefe do Hospital Daido, em Tóquio.
As reclamações estão transbordando nas redes sociais. “O sistema médico em Tóquio quebrou. Não podemos falar com os serviços ambulatoriais de febre por telefone porque reservas já estão cheias. Não temos para onde ir para ser examinado”, disse um usuário do Twitter.
Os casos de Covid-19 atingiram um recorde histórico no Japão de quase 250.000 na quarta-feira da semana passada devido à sétima onda de infecções impulsionada pela variante BA.5, da família Ômicron. As hospitalizações e as mortes também estão aumentando, mas não tão drasticamente quanto nas ondas anteriores, devido à prevalência de vacinas e doses de reforço.
Foto: Reuters