OSAKA – A Expo 2025 Osaka chega ao fim nesta segunda-feira, dia 13, com um marco para os brasileiros: o Pavilhão Brasil ficou entre os mais visitados e comentados de toda a exposição. Ao longo de seis meses, o espaço idealizado pela curadora e diretora teatral Bia Lessa recebeu mais de um milhão e meio de visitantes, que encontraram ali uma proposta incomum: um país que se apresentava não apenas pela exuberância cultural, mas pela reflexão sobre o futuro da vida no planeta.
No dia 10 de outubro, a ApexBrasil realizou o evento de encerramento do pavilhão, com um show da cantora Lisa Ono, símbolo da ponte afetiva entre o Brasil e o Japão. Nascida em São Paulo e criada entre os dois países, Lisa encerrou o evento cantando para um público restrito de convidados, diante das cerca de 90 esculturas infláveis que compuseram a instalação principal — representações do ser humano, da fauna e da flora, com uma mensagem de preservação e convivência.
O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, e a curadora Bia Lessa estiveram presentes no ato final. A celebração teve o tom de um balanço: não apenas da participação brasileira, mas de um período intenso de reencontros entre culturas, ideias e visões de mundo.
Um pavilhão que virou experiência
Desde a abertura, o Pavilhão Brasil surpreendeu o público japonês e internacional. A proposta de Bia Lessa combinou arte e natureza em um ambiente imersivo, que estimulava a contemplação e o desconforto. “Isso para mim não foi um fim, foi um início”, afirmou ela, ao comentar o encerramento.
Segundo a curadora, o contato com o Japão teve impacto pessoal e profissional. “Eu me senti transformada. O Japão me atravessou. Quando cheguei, parecia que eu estava na minha própria casa”, disse.
Durante os meses de exposição, o espaço brasileiro se destacou por provocar reflexão sobre o papel do ser humano diante da crise climática. Em vez de reforçar estereótipos tropicais, o pavilhão apresentou um país consciente, que propõe diálogo e transformação. Para muitos visitantes, o Brasil apareceu ali como uma nação que pensa o planeta e busca caminhos possíveis de convivência.

O Brasil em um novo papel
Jorge Viana avaliou o resultado como um sucesso. “O Brasil trouxe para cá uma mensagem de otimismo em um mundo cheio de conflitos”, afirmou.
Ele destacou que o país viveu um momento especial, com crescimento econômico, inclusão social e respeito ao meio ambiente. “O pavilhão tratou da vida e das ameaças à vida, mas também dos caminhos de paz, harmonia e sustentabilidade”, disse.
Para o presidente da Apex, a participação brasileira em Osaka refletiu o novo protagonismo internacional do país. “O Brasil foi líder do G20, dos BRICS, e agora vai sediar a maior conferência do clima do planeta, na Amazônia”, lembrou.
Viana também apontou que a presença na Expo reforçou laços históricos com a Ásia. “Mesmo sendo países distantes, Brasil e Japão construíram a maior comunidade de descendentes do mundo. É um exemplo de que o mundo melhora quando convivemos mais intensamente uns com os outros.”
Cultura como diplomacia
A música de Lisa Ono coroou o encerramento com o mesmo espírito que marcou a trajetória do pavilhão: o encontro. A artista havia se apresentado também no National Day do Brasil, ao lado de Zeca Pagodinho, Arnaldo Antunes e Mãeana, e participou da abertura do Fashion Show do país no Shining Hall. Sua presença constante reforçou o simbolismo do evento: o da cultura como forma de diplomacia.
O diretor do Pavilhão Brasil, Pablo Lira, resumiu o sentido da celebração: “Foi a consagração da mensagem que o pavilhão tinha como missão transmitir — promover reflexão sobre o futuro do planeta”.
Quando as luzes se apagaram, ficou a sensação de que o Pavilhão Brasil havia cumprido um papel maior do que o de representar um país em uma feira internacional.
Durante seis meses, artistas, empresários, autoridades e visitantes comuns conviveram em um mesmo espaço que misturava beleza e inquietação.
Bia Lessa resumiu o sentimento em poucas palavras: “Eu cheguei achando que vinha mostrar o Brasil, mas foi o Japão que me mostrou o mundo”.
A Expo Osaka termina, mas deixa como herança a percepção de que encontros verdadeiros não se encerram com o apagar das luzes. O Pavilhão Brasil desmonta-se fisicamente, mas a mensagem que transmitiu — a de um país que pensa a vida, o meio ambiente e a convivência — continua ecoando, como o último acorde de bossa nova que ainda paira no ar.
Texto e fotos: Ewerthon Tobace




