Hoje, com tantas informações sobre a gastronomia, o termo comida de conforto é muito falado. É aquela comida que relaxa ou que nos traz lembranças.
A memória gustativa é um fato importante na vida, que nos faz lembrar de uma comida preparada pela avó ou mãe, dos momentos em família e dos pratos comemorativos.
Em casa, temos uma relação muito grande com o frango, ou melhor, com a galinha. Quando minha mãe falava em canja, queria dizer que iríamos comprar uma bela galinha gorda na granja. Ela mãe gostava das malhadas, e a coitadinha ia para nossa casa dentro de uma sacola de lona enorme. A princípio, meus irmãos e eu ficávamos animados, querendo dar arroz e fazer carinho na coitada assustada. Mas, em seguida, chorávamos porque o bichinho estava se debatendo com o pescoço quebrado. E minha mãe gritava “tá com dó de que, ela é comida!”.
Daquela galinha, era aproveitado tudo. Até as penas eram lavadas e depois estavam dentro de almofadas e travesseiros. Era comum doar a alguma vizinha que estava fazendo o enxoval.
No nosso prato de todos os dias têm vida, e isso é importante lembrar. É uma vida que nos alimenta, e cuidar e preparar toda carne de forma honrosa é o mínimo que podemos fazer. Temos que tirar o melhor daquela carne que está na nossa frente e aproveitá-la ao máximo.
Quando vejo uma carne mal preparada, um peito de frango seco como uma palha ou um frango que foi assado demais, fico muito irritada. Nas minhas aulas, quando um aluno faz isso, ele vai ouvir a pergunta: por que você está matando o animal que já está morto?
É gente! Por que matar duas vezes?
Podemos ter uma ótima experiência, tanto em comer como em preparar um prato perfeito com respeito. Não é preciso ser um chef de cozinha para isso. Não é raro ver muitos chefs com experiência e estudo que não conseguem reproduzir um prato que sua avó ou mãe fazia ou faz.
Cozinhar é respeitar todo ingrediente. Se uma vida foi tirada para isso, o respeito precisa ser maior. Hoje, há um grande debate sobre os rumos da alimentação e de onde podemos tirar proteínas, dizem até que os insetos são a comida do futuro. Sinceramente, espero que esse futuro seja bem longínquo, e que nós humanos possamos entender que podemos nos alimentar de vida, mas sempre com respeito e todo o aproveitamento.
Hoje, vamos fazer um frango simples, mas tenro. Ele fica perfeito, macio e úmido por dentro e com a pele crocante por fora.
Coxas de frango perfeitas
Ingredientes
1 kg coxas de frango (coxas e sobrecoxas)
4 colheres (sopa) de maionese
½ colher (sopa) de mostarda dijon
1 pitada de cominho
1 pitada de pimenta caiena
1 pitada de louro em pó
½ cebola
½ copo de salsinha com cabo
150 ml de vinho branco seco
15 ml de vinagre branco
6 dentes de alho
1 pitada de pimenta do reino
1 pimentão vermelho pequeno
1 colher (sopa) rasa de sal
Modo de preparo
Em água corrente, lave rapidamente as coxas de frango e seque com um papel toalha.
Coloque as coxas em um saco plástico e regue com o vinho. Feche o saco, e leve à geladeira por 30 a 40 minutos.
Num processador ou liquidificador, coloque a maionese, a mostarda, os dentes de alho, a cebola, o pimentão vermelho e a salsinha com os cabos. Processe um pouco e adicione o restante dos ingredientes. Bata até obter uma mistura mole, entre o líquido e o cremoso.
Despeje sobre as coxas de frango e mexa. Retire todo o ar do saco e feche bem. É importante que todas as coxas estejam bem envolvidas pelo tempero.
Deixe na geladeira de 12h a 24h.
Retire as coxas de frango da geladeira e deixe elas climatizarem, de 30 minutos a 1 hora. Aqueça o forno a 180 graus – se o seu forno não tiver o sensor que avisa que já está quente, deixe aquecer por 20 a 30 minutos.
Acomode as coxas numa forma forrada com papel manteiga e deixando um pouco de espaço entre elas para que o assado fique bonito e dourado por inteiro.
Sem cobrir a forma, leve ao forno e asse por 30 a 40 minutos.
Retire do forno e deixe descansar por 10 minutos.
Sirva com uma bela salada.
Dicas
Dependendo do tamanho das coxas, você pode assar em mais ou menos tempo. Como saber: retire uma das coxas do forno e corte nas juntas, verifique se a carne perto do osso está totalmente assada. Se ainda não estiver assada, volte a coxas ao forno e termine de assar.
Nesse mesmo processo, você pode temperar o frango inteiro, espalhe o tempero na parte de dentro e fora.
Foto: Rubia Kuroki e Tribo Buffet/Alternativa
Um dos segredos do frango assado perfeito é deixar as coxas envolvidas no tempero de 12 a 24 horas
Mizinha é chef do Trigo Buffet and Catering e consultora para negócios na área de alimentação. Ministra aulas de gastronomia e etiqueta social e foi a chef principal do Pavilhão Brasil na Foodex Japan de 2012 a 2015
Receita publicada originalmente na edição 582 da Alternativa, de 7 de março de 2024





