Atualizado em: 07/04/2024 09:13
Nos últimos dias, tenho ouvido mais sobre piratas do que costumo ouvir em um ano inteiro. Não me refiro aos piratas dos cinemas, mas sim aqueles reais que navegam em nossos mares.
Na última semana, encarei um trabalho que exigia ingredientes bem específicos, os quais normalmente encontro com facilidade. No entanto, desta vez, para o meu desespero, eles simplesmente desapareceram das prateleiras. Foi tão estranho que comecei a perguntar aos fornecedores o motivo de tal escassez. Para a minha surpresa, a resposta foi piratas!
Sim, minha gente, eles estão aí atrapalhando as nossas receitas. Por causa das guerras, os navios estão tendo que mudar as rotas e acabam se deparando com os piratas que roubam as cargas. É estranho ouvir falar sobre piratas hoje, não é mesmo?
Por vivermos em uma ilha, dependemos muito dos produtos importados e a maior parte deles vem pelo mar. Isso me fez lembrar de 30 anos atrás, quando comecei o Trigo Buffet. No Japão, não havia nada muito além do básico da cozinha japonesa e fazer qualquer prato internacional era muito difícil. Pratos tópicos brasileiros, então, eram muito complicados de preparar.
Foi um desafio, que agora vejo como um ótimo aprendizado. Tive que aprender a fazer queijos, curtidos, curados, defumados que faço até hoje mesmo sabendo que posso comprar.
Nessas minhas buscas por substitutos, recebi dos fornecedores muitas amostras de vários produtos diferentes, inclusive de pão pita. Provei e era horrível. Disse a mim mesma, como foi bom aqueles tempos em que era obrigada a aprender a fazer tudo. Então, se é isso o que está sendo vendido, meus leitores merecem coisa melhor.
Vamos preparar um senhor pão pita.
Pão Pita
Ingredientes
500 g de farinha de trigo
250 g de farinha de trigo para pão
8 g fermento biológico seco
15 g de sal
30 g de açúcar
30 ml de azeite
450 g de água em temperatura ambiente
Modo de preparo
O pão pita é um dos mais simples, mas que tem aqueles “pulos do gato”.
Numa vasilha funda, misture os dois tipos de farinha, o açúcar, o fermento e o sal.
Regue essa mistura seca com o azeite, e mexa com uma colher de pau ou um pão duro bem firme que possa ser usada para massas pesadas.
Adicione metade da água. No Japão, temos vários tipos diferentes de farinhas e algumas pedem mais ou menos líquido. Por isso, vamos colocar a água aos poucos. Podemos usar toda a quantidade – ou não – ou ainda precisar colocar mais um pouquinho de água.
Mexa com a colher até onde der.
Com as mãos, sove a massa, que deve ficar meio grudenta.
Retire da bacia, coloque numa bancada e sove um pouco.
Modele uma bola, cubra com um pano e deixe descansar por 10 minutos.
Depois disso, volte a trabalhar a massa até dar o ponto de véu. Para isso, sove e estique a massa com a palma de uma das mãos. Junte as pontas da massa e enrole de volta. Vire a massa e vá repetindo o processo até que o glúten seja ativado e a massa fique elástica.
Sove por aproximadamente 10 a 15 minutos. O ponto de véu que é quando a gente puxa um pouco de massa e ela abre uma película que não rasga.
Novamente, modele uma bola e coloque numa bacia untada com azeite.
Cubra com um pano e deixe descansar por 1 hora ou até dobrar de tamanho.
Coloque a massa numa bancada e achate um pouco a bola, deixando no formato de um disco. Não manipule muito a massa depois da fermentação.
Corte em pedaços, como os de pizza (80 a 100 g cada pedaço).
Junte as pontas cuidadosamente, sem amassar muito, e forme uma bola, com as emendas para baixo.
Com as duas mãos, gire cuidadosamente a massa deixá-la mais redondinha. Cubra e deixe descansar por 15 minutos.
Enfarinhe a bancada e jogue um pouco de farinha na massa e no rolo.
Abra a massa com o rolo, do centro para as pontas. Não precisa ficar muito fina e nem muito grossa (mas vai do seu gosto), em discos com aproximadamente 15 cm de diâmetro.
Coloque os discos sobre um pano de prato enfarinhado. Cubra com outro pano.
Em fogo médio, aqueça bem uma frigideira de fundo grosso e antiaderente. Coloque o primeiro disco modelado na frigideira com o lado que ficou sobre o pano para cima.
Logo irão aparecer as bolhas na massa. Vire e o pão irá inflar. Caso ele infle somente de um lado, vire a massa novamente e ele irá abrir e inflar por inteiro como uma bexiga. Vire e doure mais um pouco do outro lado. Retire do fogo e ele irá murchar novamente.
Deixe esfriar e coloque em um saco plástico.
Dica
Se for utilizar a batedeira, utilize água gelada. Bater a massa na batedeira gera atrito e calor, e isso pode ativar demais o fermento.
Os pães pita podem ser congelados. Para que fiquem bem elásticos e não rasgar na hora de fazer sanduíches, coloque os pães descongelados no micro-ondas por 30 segundos.
Foto: Rubia Kuroki e Trigo Buffet/Alternativa
Mizinha é chef do Trigo Buffet and Catering e consultora para negócios na área de alimentação. Ministra aulas de gastronomia e etiqueta social e foi a chef principal do Pavilhão Brasil na Foodex Japan de 2012 a 2015
Receita publicada originalmente na edição 583 da Alternativa, de 21 de março de 2024