Nagoia – Um grupo de brasileiros que reside no Japão aderiu neste domingo (6) às manifestações que estão ocorrendo nas ruas e praças do Brasil em apoio ao presidente Jair Bolsonaro e para contestar o resultado da eleição presidencial do dia 30 de outubro, que deu vitória ao ex-condenado Luiz Inácio Lula da Silva.
Os manifestantes se reuniram no Central Park em Nagoia, capital de Aichi, e diante da estação de Hamamatsu, na província de Shizuoka.
No Brasil, as manifestações iniciaram com a paralisação de caminhoneiros em várias estradas do país, passando em seguida para multidões ocupando praças, ruas ou diante de bases militares, como no Comando Militar do Sudeste, em São Paulo, o Comando Militar do Leste, no Rio de Janeiro, e o Quartel General do Exército, em Brasília.
Os manifestantes sempre vestidos de verde e amarelo pedem “intervenção federal” por entenderem que o processo eleitoral não foi conduzido de maneira justa, incluindo decisões do Tribunal Superior Eleitoral que censurou perfis nas redes sociais e também emissoras de rádio, revistas e jornais.
Em Nagoia não foi diferente. Um grupo se reuniu em Sakae com cartazes escritos “Lula ladrão”, “Dorobo” (ladrão), “Brasil sob censura”.
Um dos manifestantes, Fábio Rodrigues Kamiya, veio de Kakamigahara (Gifu). “Como no Brasil, essa manifestação foi orgânica, isto é, não teve uma liderança. Pedimos a intervenção federal em favor do Brasil, contra a censura e em favor da liberdade de expressão”, disse.
Angélica Kataoka, de Nagoia, disse que quis manifestar sua esperança no Brasil. “Essa é uma oportunidade única pela democracia no nosso país. O Brasil estava progredindo em valores morais, em representatividade, em respeito aos trabalhadores. Mas cada um tem sua visão, não é?!”.
Nessa manifestação os brasileiros gritaram que “Supremo é o povo”, referindo-se ao Supremo Tribunal Federal, que anulou as condenações de Lula, permitindo que ele concorresse à eleição. E também cantaram o hino nacional.
Outra brasileira de nome Maria Lucia publicou no seu perfil no Facebook: “Vamos nos juntar aos irmãos do Brasil que estão há uma semana dando o sangue. Sabemos que a esquerda é maligna. Queremos liberdade. Vamos nos juntar”. Em seguida, ela acrescentou: “O Brasil pede socorro. Jamais a nossa bandeira será vermelha. Nunca!”
Em Shizuoka, os brasileiros decidiram realizar a manifestação perto da estação de trem de Hamamatsu. O proprietário da Servitu, João Masuko, marcou presença e deixou claro seu motivo: “O Brasil está em perigo. A eleição foi roubada. Eu não quero que um presidente que saiu da cadeia governe o nosso país”, disse.
João acrescentou ainda o seguinte: “Ele (Lula) fez coisas erradas. Teve fraude na eleição. O Brasil pede socorro. E, para falar a verdade, nosso atual presidente, Jair Bolsonaro, começou sua caminhada à vitória em 2018 quando antes do pleito esteve em Hamamatsu. Ele começou na Servitu, quando ainda era deputado”, afirmou.
Outra manifestante, Glória Seiko Iwabe dos Reis, de Hamamatsu, disse que é pastora de uma igreja e foi defender a família e o futuro do país. “O futuro do nosso Brasil está em perigo com as injustiças que está sofrendo. Vim com mais pessoas mostrar aos irmãos do Brasil que estamos defendendo a mesma causa”, afirmou.
Glória disse que em Hamamatsu essa foi a primeira manifestação, mas que isso deverá se repetir todos os domingos às 15h no mesmo local. “Vamos nos manifestar até que seja feito algo pelo Brasil”, finalizou.
Fotos: Reprodução/Maria Lucia
Fotos: Geovanne Percy/Cedidas