Brasília, Brasil – A montadora chinesa BYD, famosa por seus carros elétricos, agora faz parte da “lista suja” do trabalho escravo no Brasil. A inclusão ocorreu após o resgate de trabalhadores em condições análogas à escravidão, em dezembro de 2024, na cidade de Camaçari, na Bahia.
Segundo informações do portal G1, na última segunda-feira (6), o Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil atualizou a lista de empregadores que foram flagrados mantendo trabalhadores em condições análogas à escravidão. Além da BYD, a lista inclui outros 168 empregadores, sendo 102 pessoas físicas e 67 jurídicas.
A empresa permanecerá na lista por dois anos, mas poderá sair antes desse prazo caso assine um termo de ajustamento de conduta. Para isso, precisará indenizar as vítimas e investir em programas de apoio aos trabalhadores resgatados.
Entenda o caso da BYD
A inclusão da BYD na “lista suja” aconteceu após a constatação de irregularidades graves em Camaçari. Ao todo, 220 trabalhadores chineses eram contratados para ajudar na construção de uma fábrica da empresa.
Durante fiscalização, autoridades descobriram que os trabalhadores chineses estavam vivendo em alojamentos precários, sem condições adequadas de higiene e conforto. Além disso, os trabalhadores sofriam vigilância por seguranças armados que impediam qualquer tentativa de saída do local.
A empresa mantinha os passaportes dos empregados e seus contratos incluíam cláusulas ilegais, como jornadas exaustivas e ausência de descanso semanal.
Imigração irregular e atividades ilegais
Por outro lado, a entrada irregular dos trabalhadores no Brasil também agravou o caso. Inicialmente, eles receberam vistos para serviços especializados, mas estavam exercendo atividades que não correspondiam ao descrito nos documentos.
Com isso, constituiu-se mais uma infração por parte da empresa e das empreiteiras envolvidas.
Ação legal e indenização
Logo após a denúncia, o Ministério Público do Trabalho da Bahia tomou as devidas providências. Em 2025, a BYD e as empreiteiras responsáveis pelo projeto assinaram um acordo de R$ 40 milhões para reparar as vítimas e corrigir as irregularidades encontradas.
O valor deverá indenizar os trabalhadores e implementar medidas corretivas nas práticas de contratação.
O que significa estar na “lista suja”?
A “lista suja” é uma ferramenta do Ministério do Trabalho do Brasil que reúne empregadores flagrados em condições de trabalho análogas à escravidão.
Dessa forma, o objetivo é pressionar as empresas a adotar práticas mais justas e evitar a exploração de novos trabalhadores. Por isso, empresas que constam na lista enfrentam danos à imagem e podem sofrer sanções.
Perguntas frequentes
- O que é a “lista suja” do trabalho escravo?
A “lista suja” é um cadastro que inclui empregadores flagrados mantendo trabalhadores em condições análogas à escravidão.
- Quais são as consequências para a BYD após entrar na lista suja?
A BYD poderá ser removida da lista se cumprir um termo de ajustamento de conduta, indenizar as vítimas e adotar práticas de trabalho justas. Caso descumpra os compromissos, a empresa poderá voltar à lista.
- Quantos trabalhadores foram resgatados em Camaçari?
220 trabalhadores chineses estavam sendo explorados na construção de uma fábrica da BYD na cidade de Camaçari.




