São Paulo – O desembargador Eduardo Guilliod Maranhão, do Tribunal de Justiça de Pernambuco, revogou na terça-feira (24) a prisão preventiva do cantor Gusttavo Lima. A autoridade também suspendeu a apreensão do passaporte e do certificado de registro de arma de fogo, bem como de eventual porte de arma de fogo do artista.
Na segunda-feira (23), a juíza Andréa Calado da Cruz, do mesmo Tribunal, tinha determinado a prisão de Gusttavo Lima com base na investigação da Operação Integration, que apura crimes de lavagem de dinheiro e a prática de jogos ilegais.
Os advogados que defendem o cantor, Delmiro Dantas Campos Neto, Matteus Macedo e Cláudio Bessas, entraram com o pedido de habeas corpus ainda na noite de segunda-feira, e o desembargador tomou a decisão na tarde de terça-feira.
Eduardo Guilliod Maranhão também concedeu liberdade para a influenciadora Deolane Bezerra Santos, que deixou a prisão no mesmo dia. Ela tinha sido presa na mesma operação policial que investiga Gusttavo Lima e está sendo acusada de criar um site de apostas para lavar dinheiro de jogos ilegais.
Acusações
De acordo com a investigação, o cantor teria ocultado R$ 9,7 milhões, provenientes de dois depósitos da HSF Entretenimento Promoção de Eventos, uma empresa envolvida com jogos ilícitos. Além disso, o cantor é acusado de ter facilitado a proteção de foragidos investigados pela operação, que tramita em segredo de Justiça.
Outro ponto das acusações envolve a compra de 25% da empresa “Vai de Bet”, também suspeita de operar jogos ilegais. Recentemente, essa empresa esteve no centro de outra controvérsia após a rescisão de seu contrato de patrocínio com o Corinthians.
Segundo a CNN, o cantor deixou o Brasil na véspera do pedido de prisão e foi para Miami. O nome do artista chegou a ser incluído no sistema da Polícia Federal nos aeroportos brasileiros.
Gusttavo Lima deve retornar ao Brasil nos próximos dias para cumprir sua agenda de shows, incluindo um em Petrolândia (PE) no valor de R$ 1,1 milhão, em 2 de outubro.
Nota da defesa
A defesa de Gusttavo Lima expressou tranquilidade e satisfação com a decisão do desembargador Eduardo Guilliod Maranhão. Segundo a equipe jurídica, a decisão anterior, que decretou a prisão, baseou-se em presunções que contrariam as evidências já apresentadas nos autos, inclusive com a discordância do Ministério Público.
Os advogados alegam que o relacionamento do cantor com as empresas investigadas era estritamente de uso de imagem e decorrente da venda de uma aeronave, com todas as transações sendo realizadas legalmente e devidamente registradas. Eles reforçaram que tais contratos incluíam cláusulas de compliance e foram firmados antes de qualquer conhecimento sobre as investigações em curso.
Por fim, a defesa afirmou que Gusttavo Lima sempre teve uma vida limpa e dedicada à música, e que medidas judiciais serão tomadas para reparar os danos causados à imagem do artista.
Foto: Reprodução/Instagram




