Rio Grande do Sul – Com as fortes chuvas no fim de semana, o nível do Guaíba atingiu 5,04 metros na tarde de segunda-feira (13), em Porto Alegre, segundo a Agência Nacional de Água e Saneamento Básico (ANA). As autoridades acreditam que com a continuidade da chuva, a cota do Guaíba chegue ao pico de 5,5 metros nesta terça-feira (14).
O Rio Grande do Sul enfrenta a sua maior tragédia climática, atingido por fortes temporais desde o último dia 29. Segundo a Defesa Civil estadual, 447 dos 497 municípios gaúchos foram impactados.
A Defesa Civil informou que o total de mortos chega a 147 até a segunda-feira (13). Há 127 pessoas desaparecidas e 806 feridas, segundo a Jovem Pan.
Conforme a Defesa Civil, ainda, são 2.115.703 pessoas afetadas de alguma forma pelas enchentes, com 538.241 desalojados e os abrigos emergenciais atendem no momento 80.826 pessoas.
No município de Esteio os moradores de alguns bairros foram evacuados. No trecho entre Caxias do Sul e Nova Petrópolis, a ponte do Rio Caí cedeu e a BR-116 foi parcialmente bloqueada.
Moradores de Caxias do Sul relataram a ocorrência tremores de terra na madrugada, confundidos com terremotos. A explicação da Defesa Civil é que está ocorrendo uma acomodações do solo, que está encharcado devido ao alto volume de água.
No momento há 105 pontos com bloqueios totais ou parciais em 59 rodovias, entre estradas, pontes e balsas, segundo o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer).
O Rio Grande do Sul permanece com duas barragens em nível de emergência, isto é, com risco iminente de ruptura, de acordo com a Defesa Civil, publicou a Agência Brasil. O nível de emergência é o mais grave e exige a tomada de providências para preservar vidas.
As barragens nessa condição são: a pequena central hidrelétrica de Salto Forqueta, entre os municípios de São José do Herval e Putinga, e a barragem Santa Lúcia, em Jaguari.
Em outras cinco barragens o nível é de alerta, ou seja, quando anomalias comprometem as condições de segurança, como é o caso da usina hidroelétrica (UHE) 14 de Julho, entre Cotiporã e Bento Gonçalves; a UHE Dona Francisca, em Nova Palma; e as barragens Capané, em Cachoeira do Sul, São Miguel, em Bento Gonçalves, e Saturnino de Brito, em São Martinho da Serra.
Starlink e água potável
O chefe da Starlink, o bilionário Elon Musk, publicou em seu perfil no X (antigo Twitter) que doou 1.000 terminais de internet via satélite para auxiliar os socorristas nas operações de busca e resgate no estado, segundo o Hora Brasília. Musk assegurou que o uso dos terminais será gratuito até a completa recuperação da região.
As operadoras de telefonia móvel TIM, Vivo e Claro também estão oferecendo acesso gratuito à internet móvel para os habitantes afetados. A medida visa suprir a lacuna deixada pela deterioração dos serviços de telecomunicação, que têm dificultado as atividades de resgate. Em Bento Gonçalves, por exemplo, foram relatados períodos de completa falta de comunicação.
A Embaixada de Israel anunciou que enviará máquinas de filtragem de água para ajudar os desabrigados no estado. O embaixador Daniel Zohar Zonshine está liderando os esforços para facilitar a chegada dos equipamentos de alta tecnologia israelense ao Brasil. Cada máquina tem capacidade de purificar água poluída de rios a uma taxa de até 500 litros por hora, beneficiando entre 300 e 400 pessoas com água potável.
O Governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, em entrevista à Band, agradeceu a boa vontade do governo federal em alocar R$ 50,9 bilhões para auxiliar na recuperação do estado. Mas ele Leite sublinhou que os recursos não seriam transferidos diretamente para o governo estadual e que cerca de R$ 30 bilhões são emprestados ao estado.
Foto: Gustavo Mansur/Palácio Piratini
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