Coreia do Sul – A agência de espionagem da Coreia do Sul acusou o aplicativo de inteligência artificial (IA) da startup chinesa DeepSeek de coletar dados pessoais “excessivamente” e de usar todos esses dados de entrada para se treinar. Além disso, questionou as respostas dadas pelo aplicativo a perguntas sobre temas sensíveis para o governo chinês, publicou a Reuters.
Segundo o Serviço Nacional de Inteligência (NIS), os registros feitos na IA da DeepSeek são transferíveis, pois incluem uma função para coletar padrões de entrada de teclado que podem identificar indivíduos e se comunicar com servidores de empresas chinesas, como volceapplog.com, segundo comunicado divulgado no domingo (9).
Na Coreia do Sul alguns ministérios bloquearam o uso da IA da DeepSeek, assim como já fizeram Austrália e Taiwan. No Japão, há a recomendação para ter cuidado no uso da tecnologia.
Segundo o serviço de espionagem sul-coreano, a DeepSeek dá aos anunciantes acesso ilimitado aos dados do usuário e armazena essas informações em servidores chineses.
De acordo com a lei chinesa, o governo chinês pode acessar essas informações quando solicitado, acrescentou a agência.
A IA da DeepSeek também forneceu respostas diferentes para perguntas potencialmente sensíveis em diferentes idiomas, observou o NIS.
Quando o usuário pergunta no idioma coreano sobre a origem do kimchi, prato picante e fermentado que é um alimento básico na Coreia do Sul, a IA responde que se trata de um item da culinária da Coreia do Sul. Mas se a mesma pergunta for feita em chinês, a resposta é de que se trata de um prato originário da China.
Outro ponto que levanta dúvidas é com relação a questões políticas, como o massacre na Praça da Paz Celestial em 1989, o que leva o aplicativo a sugerir a seguinte resposta: “Vamos falar sobre outra coisa”.
Procurada pela Reuters, a DeepSeek não respondeu imediatamente a um pedido de comentário por e-mail.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China disse na quinta-feira (6) que o governo chinês atribui grande importância à privacidade e segurança dos dados e os protege de acordo com a lei.
O porta-voz também disse que Pequim nunca pediria a nenhuma empresa ou indivíduo que coletasse ou armazenasse dados em violação às leis.
Foto: iStockphoto
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