Seul, 12/nov – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apelou nesta sexta-feira aos líderes políticos mundiais, no último dia de reuniões da Cúpula do G20 (que reúne as maiores economias do mundo), para que evitem o desequilíbrio da economia internacional a partir de decisões unilaterais que visam ao fortalecimento de seus mercados internos. O apelo é um recado direto aos Estados Unidos e à China que adotam medidas que desvalorizam suas moedas e acabam prejudicando a economia mundial.
Lula disse que é fundamental pensar nos países pobres e ajudá-los. O presidente ressaltou que, mesmo sem recursos, o Brasil busca ajudar o fortalecimento das economias dos países pobres, como os africanos.
Segundo ele, não existem mais decisões unilaterais. “Qualquer decisão que a Argentina ou o Brasil tomar vai ter repercussão nos países vizinhos.” Em seguida, Lula acrescentou: “Imaginem as potências econômicas, como os Estados Unidos, a China e a Índia, tomando decisões sem levar em conta as repercussões.”
Para o presidente, é essencial que as grandes economias assumam a responsabilidade de coordenar de forma adequada as ações e seus reflexos. “Espero que o G20 assuma a responsabilidade de coordenar melhor as ações [e os reflexos] para que elas se tornem multilaterais e para que a gente não cause prejuízos [aos mercados externos]”, disse ele.
Lula lembrou que a falta de recursos não limita o apoio do Brasil aos países pobres. “Queria fazer um apelo. O Brasil não tem dinheiro, mas tem feito um esforço para ajudar os países africanos. O apelo é por uma política de desenvolvimento para ajudar os países mais pobres”, afirmou.
De acordo com o presidente, essas ações devem se basear em financiamentos com regras preestabelecidas. “Acho que vocês vão se dar conta da responsabilidade que está sobre vocês”, acrescentou.
Dilma discreta
Esforçando-se para não chamar a atenção voltada a Lula, a presidente eleita Dilma Rousseff manteve a discrição nos dias em que esteve em Seul, capital da Coreia do Sul, para as reuniões da Cúpula do G20. Convidada especial, Dilma disse que não pretendia se manifestar nas reuniões, mas confirmou que vai manter a atual política econômica.
A presidente eleita confidenciou nesta sexya-feira ter se acostumado ao esquema de segurança e à “nova vida”. O esquema de segurança por enquanto está sob responsabilidade da Polícia Federal. Depois que assumir, Dilma contará com a segurança da Presidência da República que reúne policiais militares, integrantes das Forças Armadas e da Polícia Federal. “Isso é inexorável [sobre o esquema de segurança]”, disse Dilma. “Mas quando eu era ministra a vida não era muito normal não”, acrescentou.
foto
Lula e Dilma participaram da Cúpula do G20 em Seul
Agência Brasil




