Washington – A guerra entre os Estados Unidos e o Irã atingiu um novo patamar de gravidade neste fim de semana. No sábado (4), o Comando Central iraniano afirmou que o país utilizou um novo sistema de defesa aérea para abater duas aeronaves militares americanas.
O anúncio ocorre em um momento de extrema fragilidade nas negociações, enquanto o presidente Donald Trump sinaliza o fim do prazo para uma resposta iraniana.
De acordo com a emissora NHK, citando informações da mídia estatal do Irã divulgadas na sexta-feira (3), a Guarda Revolucionária abateu um caça F-15 dos Estados Unidos na região central do país.
Fontes da imprensa americana confirmaram a queda da aeronave. Segundo os relatos, as equipes de resgate localizaram um dos tripulantes, porém o segundo permanece desaparecido e as buscas continuam no local.
Novo sistema de defesa iraniano
Além do incidente com o F-15, o governo dos Estados Unidos confirmou a queda de uma aeronave de ataque A-10 nas proximidades do Estreito de Ormuz. O piloto foi resgatado com vida logo após o impacto.
Em comunicado oficial emitido no sábado, o porta-voz do Comando Central iraniano destacou que a nova tecnologia de defesa tem como alvo as aeronaves mais modernas da frota americana.
O porta-voz enfatizou que o país pretende dominar completamente o próprio espaço aéreo. Além disso, ele afirmou que as recentes vitórias militares servem para “demonstrar a humilhação do inimigo ao mundo”. Essa postura demonstra uma resistência clara às pressões exercidas por Washington nas últimas semanas.
Trump faz novas ameaças
Por outro lado, o presidente Donald Trump utilizou as redes sociais para subir o tom das ameaças. Em uma publicação feita no sábado, ele lembrou o prazo estabelecido anteriormente para que o Irã aceite um acordo ou libere o Estreito de Ormuz. “O tempo está acabando. Restam 48 horas antes que o inferno caia sobre eles”, escreveu o presidente americano.
Esta contagem regressiva refere-se ao prazo fixado por Trump no dia 26 do mês passado. Na ocasião, o líder americano declarou que as forças dos EUA evitariam ataques a instalações de energia apenas até às 20h da segunda-feira, 6 de abril (horário do leste dos EUA). Com isso, a expectativa de uma ofensiva militar em larga escala cresce à medida que o relógio avança.
Incertezas nas negociações
Enquanto as ameaças militares dominam o cenário, o campo diplomático segue em um impasse. O jornal Wall Street Journal informou que o Irã teria recusado conversas com autoridades americanas em Islamabad, no Paquistão. Entretanto, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, negou essa versão no sábado.
Araghchi afirmou que a posição do Irã está sendo distorcida pela mídia ocidental e que o país nunca rejeitou o encontro formalmente. No entanto, o chanceler ressaltou que qualquer diálogo depende de condições que encerrem definitivamente o que ele chamou de “guerra ilegal imposta”. Portanto, a realização de um acordo de cessar-fogo permanece incerta, aumentando o risco de um confronto direto em menos de dois dias.
Apoio externo e tecnologia de defesa do Irã
Em entrevista à CNN, o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF), Vitelio Brustolin, explicou que essa capacidade de derrubar aeronaves dos EUA não é fruto apenas de esforços isolados.
Segundo o especialista, o Irã provavelmente recebeu informações de inteligência da Rússia e da China para fortalecer suas operações. Além disso, o país reconstruiu sistemas como o Bavar-373, desenvolvido com base na tecnologia do S-300 russo.
Brustolin destacou que o Bavar-373 possui radares de alta e baixa frequência, o que permite localizar até mesmo caças invisíveis ao radar, como o F-35. No caso do F-15E, por não ser uma aeronave stealth, o rastreamento é mais simples.
O professor ressalta que o abate próximo a Teerã demonstra que o Irã ainda mantém uma rede de defesa ativa e perigosa, desafiando a liberdade de voo que os EUA e Israel exerciam na região.
Perguntas frequentes
- O que aconteceu com os pilotos dos caças americanos?
Um dos tripulantes do caça F-15 foi resgatado, enquanto o outro segue desaparecido. O piloto da aeronave A-10, que caiu perto do Estreito de Ormuz, também foi resgatado com sucesso. - Qual é o prazo dado por Donald Trump para o Irã?
O presidente americano estabeleceu o prazo final para as 20h de segunda-feira, 6 de abril. Trump afirmou que, após esse horário, o Irã enfrentará ataques severos caso não aceite os termos propostos. - O Irã aceitou negociar no Paquistão?
Embora relatos iniciais sugerissem uma recusa, o chanceler iraniano afirmou que o país nunca rejeitou as negociações em Islamabad. Contudo, ele reforçou que o Irã exige condições específicas para encerrar o conflito.




