Roma, Itália – A fome global pode se agravar rapidamente caso o conflito no Oriente Médio continue, alertou o Programa Mundial de Alimentos (PMA) na terça-feira (17), sediado em Roma, na Itália. Segundo o órgão da ONU, milhões de pessoas podem enfrentar níveis agudos de insegurança alimentar nos próximos meses.
O cenário preocupa autoridades internacionais, sobretudo pelo impacto econômico indireto da guerra. Além disso, o aumento dos preços do petróleo pode intensificar a crise e ampliar o número de pessoas afetadas.
Fome global pode bater novo recorde
O PMA estima que quase 45 milhões de pessoas podem entrar em situação de insegurança alimentar aguda ou pior, classificada como IPC3+, se o conflito persistir até o meio do ano.
Ao mesmo tempo, esse número se somaria aos 318 milhões que já enfrentam dificuldades para se alimentar. Com isso, a fome global pode atingir níveis recordes.
Impacto semelhante ao da guerra na Ucrânia
As projeções indicam um cenário parecido com o início da guerra na Ucrânia, em 2022. Naquele período, a fome global alcançou 349 milhões de pessoas.
Na época, os preços dos alimentos subiram rapidamente. No entanto, a queda demorou a acontecer. Por isso, famílias vulneráveis perderam acesso a itens básicos por longos períodos.
Agora, embora o foco do conflito esteja em um centro energético global, os efeitos podem ser semelhantes. Isso ocorre porque os mercados de energia e alimentos estão diretamente ligados.
Energia cara pressiona alimentos
A paralisação do Estreito de Ormuz já eleva os custos de energia, combustível e fertilizantes. Como resultado, a fome se agrava não apenas no Oriente Médio, mas também em outras regiões.
Nesse sentido, o diretor executivo adjunto e de operações do PMA, Carl Skau, reforçou a urgência de uma resposta humanitária. “Se este conflito continuar, ele enviará ondas de choque por todo o mundo, e as famílias que já não têm condições de comprar a próxima refeição serão as mais afetadas”, afirmou.
Regiões mais vulneráveis à fome global
Os dados apontam que países da África e da Ásia enfrentam maior risco. Isso acontece devido à forte dependência de importações de alimentos e combustíveis.
Na África Ocidental e Central, o número de pessoas em insegurança alimentar pode crescer 21%. Enquanto isso, a África Oriental e Austral pode registrar aumento de 17%.
Já na Ásia, a projeção indica crescimento de 24%. Assim, o avanço da fome global tende a se concentrar nessas regiões mais expostas.
Perguntas frequentes
- Quantas pessoas podem ser afetadas pela fome global?
Cerca de 45 milhões podem entrar em situação de insegurança alimentar aguda, segundo o PMA.
- Por que o conflito no Oriente Médio afeta a fome global?
O aumento dos preços do petróleo encarece energia e alimentos, o que dificulta o acesso à comida.
- Quais regiões serão mais impactadas?
Países da África e da Ásia devem sofrer mais devido à dependência de importações.




