Pequim – O governo da China acusou os Estados Unidos de aplicar “padrões duplos” depois que o presidente Donald Trump ameaçou impor uma tarifa extra de 100% sobre os produtos chineses.
O Ministério do Comércio chinês declarou, por meio de um porta voz, que a medida é um “exemplo típico do comportamento contraditório dos EUA” e prometeu “contramedidas” não especificadas, afirmando que “não teme uma guerra tarifária”.
A escalada verbal ocorre em um momento sensível, com expectativa de um possível encontro entre Trump e o presidente Xi Jinping durante uma cúpula na Coreia do Sul, ainda neste mês. Na sexta-feira (10), Trump acusou a China de agir com hostilidade ao restringir a exportação de terras raras, metais estratégicos para a indústria global de tecnologia e energia limpa.
“Não se preocupe com a China, tudo ficará bem!”, escreveu Trump em uma postagem no domingo. “Os EUA querem ajudar a China e não prejudicá-la!”
As terras raras são essenciais para a fabricação de painéis solares, smartphones, baterias, motores elétricos e sistemas de mísseis. A China detém mais de 40% das reservas globais e é responsável por cerca de 90% do refino desses minerais, de acordo com a BBC.
Washington vê a dependência como um risco estratégico. Já a China, ao reforçar os controles de exportação desses materiais, argumenta que está apenas protegendo sua segurança nacional.
As declarações de Trump e a reação chinesa causaram forte instabilidade nos mercados.
Desde maio, os EUA e a China haviam acordado reduzir tarifas bilaterais, após meses de impasse. Ainda assim, os produtos chineses seguem enfrentando tarifas adicionais de 30% nos EUA, enquanto bens americanos que entram na China pagam 10% a mais.
O porta voz chinês acusou Washington de abuso do conceito de “segurança nacional” e de aplicar medidas discriminatórias com fins geopolíticos.
“Recorrer a ameaças tarifárias não é a maneira certa de se envolver com a China”, disse o porta voz. “Não queremos uma guerra comercial, mas não temos medo de uma.”
Apesar das declarações públicas, analistas apontam que os dois países podem estar apenas reforçando suas posições antes de futuras negociações. Não há confirmação oficial se o encontro entre Trump e Xi, previsto para este mês, ainda ocorrerá.




