Washington – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu-se na sexta-feira (15) com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, no Alasca — o primeiro encontro presencial entre os dois desde o início da invasão russa à Ucrânia. Apesar da expectativa, não houve menção concreta a avanços em direção a um cessar-fogo, segundo a emissora NHK.
Após a reunião, Trump afirmou que não basta buscar apenas um cessar-fogo, que muitas vezes não se sustenta, mas sim um acordo de paz definitivo. Segundo ele, essa posição foi compartilhada em conversas telefônicas posteriores com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e com líderes europeus.
A declaração foi interpretada por veículos da imprensa ocidental, como a BBC e o Washington Post, como uma mudança de rumo significativa, vista até como uma posição mais alinhada aos interesses da Rússia, que costuma usar negociações prolongadas como tática de tempo.
O jornal New York Times noticiou, citando autoridades europeias, que Trump teria sugerido a líderes do continente que a Ucrânia poderia ceder duas províncias do leste, inclusive áreas atualmente fora do controle russo, em troca de um acordo de paz rápido.
Em contrapartida, Moscou se comprometeria por escrito a parar os ataques, manter um cessar-fogo e não lançar novas ofensivas contra a Ucrânia e países europeus. Trump confirmou que discutiu trocas territoriais com Putin, mas sem entrar em detalhes.
Zelensky, no entanto, tem reiterado que não aceitará abrir mão de territórios, posição apoiada pela maioria dos países da Europa.
Possível garantia de segurança dos EUA à Ucrânia
Já o Wall Street Journal destacou que Trump mencionou, em conversas com líderes europeus após o encontro com Putin, a possibilidade de os Estados Unidos oferecerem “garantias de segurança” à Ucrânia em caso de cessar-fogo.
De acordo com fontes ouvidas pelo jornal, Trump teria indicado que Washington poderia fornecer apoio militar às tropas europeias que venham a ser enviadas para o território ucraniano, mas não cogitou o envio direto de soldados americanos.
Após receber explicações de Trump por telefone, líderes de seis países europeus, juntamente com a União Europeia, emitiram um comunicado conjunto afirmando que acolhem positivamente a disposição dos EUA em oferecer garantias de segurança, embora não tenham sido divulgados detalhes sobre como isso seria feito.
Reação de Putin
Em Moscou, Putin classificou o encontro como “muito proveitoso e oportuno”, destacando que pôde expor em detalhe a posição da Rússia e discutir as origens da guerra. O líder russo disse respeitar a posição dos Estados Unidos pela interrupção imediata dos combates, mas ressaltou que qualquer solução deve considerar os interesses de Moscou.
Segundo ele, a reunião aproximou os dois países de uma solução para a crise “de acordo com a posição russa”.
Na segunda-feira (18), Trump e Zelensky têm uma reunião marcada em Washington para discutir os próximos movimentos. A expectativa é avaliar se haverá avanços rumo a um cessar-fogo ou a negociações mais amplas envolvendo Estados Unidos, Ucrânia e Rússia.
Postagem de Trump na plataforma Truth Social após o encontro com Putin:
“Um grande e muito bem-sucedido dia no Alasca!
A reunião com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, foi excelente, assim como a ligação noturna com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e com vários líderes europeus, incluindo o altamente respeitado Secretário-Geral da OTAN.
Todos concordaram que a melhor maneira de encerrar essa guerra horrível entre Rússia e Ucrânia é buscar diretamente um acordo de paz, que realmente ponha fim ao conflito — e não apenas um cessar-fogo temporário, que muitas vezes não se sustenta.
O presidente Zelensky estará em Washington, no Salão Oval, na tarde de segunda-feira. Se tudo correr bem, então agendaremos uma reunião com o presidente Putin.
Potencialmente, milhões de vidas poderão ser salvas.
Obrigado pela atenção a este assunto!”




