Greta Thunberg (de chapéu verde) e outros ativistas em barco apreendido por forças israelenses. Foto: Ministério das Relações Exteriores de Israel
Tel Aviv – Forças navais de Israel interceptaram e apreenderam nesta segunda-feira (9) uma embarcação que tentava romper o bloqueio marítimo imposto à Faixa de Gaza. A bordo do iate Madleen, com bandeira britânica, estavam 12 tripulantes, incluindo a ativista climática sueca Greta Thunberg. A embarcação está agora a caminho de um porto israelense, informou a agência Reuters.
O barco é operado pela Freedom Flotilla Coalition (FFC), uma organização pró-Palestina que pretendia entregar uma pequena quantidade de mantimentos a Gaza e chamar a atenção internacional para a crise humanitária no território.
Segundo a FFC, o barco foi abordado por forças israelenses ainda durante a noite, antes de alcançar a costa. A informação foi confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel, que escreveu na rede social X (antigo Twitter): “O iate das ‘celebridades’ está em segurança a caminho das costas de Israel. Os passageiros devem ser repatriados aos seus países de origem.”
Mais tarde, o ministério informou que todos os passageiros estavam em segurança e ilesos, e foram fornecidos água e sanduíches. “O show acabou”, acrescentou a nota com tom irônico.
Entre os tripulantes estavam, além de Thunberg, a deputada francesa Rima Hassan, também defensora da causa palestina.
Tripulação detida
Em publicação na rede X, Rima Hassan afirmou que o grupo foi detido em águas internacionais por volta das 2h da manhã. Uma foto divulgada mostra a tripulação usando coletes salva-vidas com as mãos para o alto, sentados no convés.
O Madleen transportava uma pequena carga de ajuda humanitária, incluindo arroz e fórmula infantil. Segundo o Ministério das Relações Exteriores de Israel, os itens serão encaminhados a Gaza por meio de “canais humanitários oficiais”:
“A pequena quantidade de ajuda que não foi consumida pelas ‘celebridades’ será enviada para Gaza pelos canais apropriados.”
Israel acusa ativistas de propaganda pró-Hamas
O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, havia ordenado no domingo que o barco fosse impedido de chegar a Gaza, classificando a missão como um ato de propaganda em apoio ao Hamas.
De acordo com o governo israelense, ao chegarem ao porto de Ashdod, os ativistas serão obrigados a assistir a vídeos das atrocidades cometidas durante o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, data que marcou o início da guerra atual.
Por sua vez, o grupo Hamas condenou a apreensão, chamando-a de “terrorismo de Estado” e elogiou os ativistas pela iniciativa.
Bloqueio e crise humanitária em Gaza
O bloqueio naval sobre Gaza foi imposto por Israel em 2007, após o Hamas assumir o controle do território. O objetivo declarado era impedir o envio de armas ao grupo, classificado como terrorista por Israel e países ocidentais.
Desde então, o bloqueio se manteve mesmo após diversos confrontos armados — incluindo a atual guerra, que começou com o ataque do Hamas em outubro de 2023, que deixou mais de 1.200 israelenses mortos e 251 sequestrados, segundo Israel.
A resposta militar de Israel resultou, até agora, na morte de mais de 54 mil palestinos, de acordo com autoridades de saúde da Faixa de Gaza controlada pelo Hamas. A ONU alerta para o risco iminente de fome, com mais de 2 milhões de pessoas deslocadas e em situação de emergência.
Apoio internacional e resistência civil
A relatora especial da ONU para os direitos humanos nos territórios palestinos, Francesca Albanese, manifestou apoio à missão da FFC. No domingo, ela incentivou mais embarcações a desafiarem o bloqueio:
“A jornada do Madleen pode ter acabado, mas a missão continua. Cada porto do Mediterrâneo deve enviar barcos com ajuda e solidariedade para Gaza”, escreveu em sua conta no X.




