Tóquio – Uma empresa que administra uma rede de restaurantes está processando o governo de Tóquio por obrigar a redução do horário comercial, denunciando a “hipocrisia” das autoridades de saúde que desprezam os próprios protocolos de prevenção à Covid-19.
Kozo Hasegawa, que opera 43 restaurantes, incluindo um que inspirou o filme “Kill Bill”, contesta a constitucionalidade das medidas e disse que relatos de altos funcionários que saem à noite provam que também não acreditam nos protocolos.
“Eles não acham que é realmente perigoso sair e beber”, disse Hasegawa, presidente da Global-Dining Inc, a repórteres na terça-feira (30). “É hipocrisia.”
O episódio ilustra a crescente pressão econômica das medidas para conter a pandemia, com dados do governo mostrando que as vendas no varejo no Japão caíram pelo terceiro mês consecutivo em fevereiro.
Os restaurantes na região da capital foram particularmente afetados. Embora a área da grande Tóquio tenha suspendido o estado de emergência no início deste mês, está aplicando multas aos restaurantes que não fecham às 21h.
O ministro da Saúde, Norihisa Tamura, se desculpou na terça-feira, após relatos da mídia de que 23 funcionários do ministério fizeram uma festa de despedida até meia-noite em um restaurante de Ginza, em Tóquio.
As infecções por Covid-19 diminuíram de seu pico, mas voltaram a aumentar nos últimos dias, elevando o temor de uma possível quarta onda.
Hasegawa disse que as restrições aos negócios são injustas e não são científicas. Sua equipe jurídica obteve mais de ¥17 milhões por crowdsourcing para custos judiciais e está pedindo apenas ¥104 por danos.
A maioria dos especialistas em saúde afirma que a adesão às regras de higiene e o distanciamento social ajudaram o Japão a manter o número geral de casos e mortes por Covid-19 relativamente baixo, sem o tipo de bloqueio rígido visto em outros países.
Um representante do governo metropolitano de Tóquio se recusou a comentar o processo da Global-Dining.
Foto: Reuters
Kozo Hasegawa, que opera 43 restaurantes em Tóquio