Tóquio, Japão – O número de casos de influenza no Japão voltou a atingir o nível de alerta, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar (MHLW) na sexta-feira (6). Entre 26 de janeiro e 1º de fevereiro, os cerca de 3 mil centros médicos do país que fornecem informações relataram 114.291 pacientes, o que corresponde a 30,03 casos por unidade, superando novamente o patamar de alerta, fixado em 30 casos por instituição, informou a agência Kyodo.
Nesta temporada, os números já haviam ultrapassado o nível de alerta, chegaram a recuar temporariamente e voltaram a subir. É a primeira vez, ao menos nas últimas dez temporadas, que o índice supera o nível de alerta duas vezes no mesmo inverno. Em relação à semana anterior, os casos quase que dobraram, marcando a quarta semana consecutiva de crescimento.
Desde o início do ano, a tendência de alta vem se mantendo, e o total semanal voltou a ultrapassar 100 mil casos pela primeira vez desde meados de dezembro.
O avanço da influenza também afetou o sistema educacional. Ao todo, 6.192 escolas de ensino fundamental e médio registraram suspensão de aulas, fechamento de turmas ou de séries inteiras, número mais que o dobro do observado na semana anterior.
Mudança no tipo de vírus impulsiona nova alta
No início da temporada, a disseminação foi impulsionada por uma nova variante do vírus influenza A (AH3), conhecida como subclado K. No entanto, desde o fim do ano passado, aumentou a proporção de infecções pelo vírus do tipo B, o que teria contribuído para a retomada da propagação. Nas últimas cinco semanas, 44% dos vírus detectados eram do tipo B.
O professor Akihiko Saito, da Universidade de Niigata, especialista em doenças infecciosas pediátricas, explica que o vírus B “não é tão contagioso quanto o tipo A, mas tende a se espalhar principalmente entre crianças, em ambientes de convívio coletivo, como escolas”.
Além de febre, dor de garganta e tosse, o tipo B pode provocar vômitos e diarreia, e, em casos raros, evoluir para encefalopatia ou comprometimento renal após inflamação muscular. Ele alerta que convulsões ou dificuldade para ingerir líquidos exigem atendimento médico imediato.
Há registros de pessoas que contraíram o vírus do tipo A nesta temporada e voltaram a se infectar posteriormente, o que indica que a circulação do vírus pode continuar por mais algum tempo.
As autoridades reforçam que o uso de máscara em locais cheios, a lavagem frequente das mãos e a ventilação dos ambientes seguem sendo medidas eficazes de prevenção.




