Tóquio, Japão — O Ministério das Relações Exteriores do Japão (MOFA) emitiu na terça-feira (27) um aviso de atenção a cidadãos residentes no exterior e viajantes devido ao risco de um surto do vírus Nipah (NiV) em Calcutá, no estado de Bengala Ocidental, leste da Índia. A preocupação aumentou após a confirmação da infecção de cinco profissionais de saúde e o isolamento de cerca de 100 pessoas em um hospital na região.
O vírus Nipah é classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma zoonose (transmitida de animais para humanos) de extrema gravidade. Com uma taxa de letalidade que pode variar entre 40% e 75%, o patógeno é considerado uma ameaça à saúde pública global porque, até o momento, não há vacinas ou medicamentos específicos eficazes para combater a infecção.
Os sintomas variam de problemas respiratórios agudos a encefalite fatal (inflamação do cérebro).
De acordo com o comunicado oficial do governo japonês, o reservatório natural do vírus são os morcegos frugívoros (conhecidos como raposas-voadoras). A transmissão para humanos ocorre pelo contato direto com morcegos infectados ou hospedeiros intermediários (como porcos), consumo de frutas ou produtos derivados (como seiva de tamareira) que contenham saliva ou urina de animais infectados e através de contato próximo ou gotículas respiratórias de uma pessoa infectada.
O Ministério recomenda que todos os viajantes e residentes em áreas de risco sigam rigorosamente os seguintes protocolos:
- Lavar as mãos frequentemente com água e sabão e utilizar desinfetantes à base de álcool.
- Não se aproximar de animais selvagens (especialmente morcegos) ou gado sem proteção.
- Evitar o consumo de frutas cruas que possam ter sido mordidas por morcegos. Consumir apenas carnes bem cozidas e alimentos preparados em locais com boa higiene.
O surto já causa reflexos na malha aérea asiática. Países como a Tailândia já reforçaram os sistemas de quarentena em seus principais aeroportos internacionais para monitorar passageiros vindos das áreas afetadas.
O governo japonês alerta que outros países podem adotar medidas semelhantes em breve e orienta que viajantes verifiquem as restrições locais antes de embarcar.
Caso apresente sintomas, a recomendação é procurar assistência médica imediata. O MOFA solicita que cidadãos japoneses que venham a contrair a doença informem o consulado ou embaixada local assim que possível.
Sinais e sintomas
Segundo a OMS, pacientes infectados desenvolvem inicialmente sintomas como:
- febre
- dor de cabeça
- mialgia (dor muscular)
- vômitos
- dor de garganta
Os sintomas que podem vir a seguir são:
- tonturas
- sonolência
- alteração do nível de consciência
- sinais neurológicos que indicam encefalite aguda
Algumas pacientes também podem apresentar pneumonia atípica e problemas respiratórios graves, incluindo síndrome do desconforto respiratório agudo. Encefalite e convulsões ocorrem em casos graves, progredindo para coma entre 24 horas a 48 horas.
O período de incubação do Nipah (intervalo entre a infecção e o início dos sintomas) varia de quatro a 14 dias, mas já foram relatados períodos de incubação de até 45 dias.
Ainda de acordo com a OMS, a maioria das pessoas que sobrevivem à encefalite aguda causada pelo vírus se recupera completamente, mas sequelas neurológicas de longo prazo foram relatadas em cerca de 20% dos sobreviventes, incluindo distúrbios convulsivos e alterações de personalidade.
Um pequeno número de pessoas que se recuperam posteriormente apresenta recaída ou desenvolve encefalite de início tardio.
A taxa de letalidade do Nipah é estimada entre 40% e 75% e pode variar de acordo com o surto, dependendo da capacidade local de vigilância epidemiológica e de manejo clínico de pacientes.
Identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto entre criadores de suínos na Malásia, o Nipah foi registrado posteriormente em Bangladesh em 2001 e, desde então, surtos quase anuais têm sido notificados no país. A doença, segundo a OMS, também vem sendo periodicamente identificada no leste da Índia, onde fica Bengala Ocidental.
Diagnóstico
Como os sintomas iniciais da infecção são inespecíficos, o diagnóstico, muitas vezes, demora, o que comumente gera desafios na detecção de surtos, na implementação de medidas eficazes e oportunas de controle da infecção e nas atividades de resposta a surtos do Nipah.
A infecção pode ser diagnosticada com base no histórico clínico durante as fases aguda e de convalescença da doença. Os principais testes utilizados são o RT-PCR em fluidos corporais e a detecção de anticorpos por meio do ensaio imunoenzimático. Outros testes utilizados incluem o ensaio de PCR e o isolamento viral por cultura celular.
Tratamento
Atualmente, não existem medicamentos ou vacinas específicos para a infecção pelo vírus, embora a OMS tenha identificado o Nipah como parte de sua lista de patógenos com potencial de desencadear uma epidemia.
A recomendação da entidade é que os pacientes sejam submetidos a tratamento intensivo de suporte para complicações respiratórias e neurológicas graves.




