TÓQUIO – “Eles apagaram todos os dados necessários ao sair” ou “enviaram um e-mail de despedida cheio de sarcasmo” são algumas das situações enfrentadas por cerca de 10% dos trabalhadores no Japão quando colegas ou chefes deixam seus empregos, segundo pesquisa da consultoria Scholar Consult Co., sediada em Tóquio. Esse tipo de comportamento é conhecido como “demissão por vingança” e tem se tornado mais visível à medida que a troca de empregos se torna menos complicada do que no passado.
Segundo o diário The Mainichi, a pesquisa, realizada em maio por meio de um questionário online com 2.106 participantes, incluindo funcionários gerais e gerentes de empresas com pelo menos 100 funcionários, buscou entender a frequência e os impactos dessas ações. Entre os entrevistados, 29% apontaram como principal problema a sobrecarga causada ao assumir tarefas deixadas por quem pediu demissão. Além disso, 11,8% relataram ter vivenciado ações qualificadas como demissão por vingança, incluindo apagamento de dados, saída em períodos críticos ou envio de mensagens provocativas.
Exemplos relatados incluem computadores com memórias apagadas, documentos espalhados, acusações falsas de assédio e e-mails sarcásticos, evidenciando como tais ações podem gerar caos no local de trabalho e dificuldades na transferência de responsabilidades.
Segundo Asaho Minohara, presidente da Scholar Consult, essas ações geralmente surgem de insatisfação no trabalho, divergência entre expectativas e realidade das tarefas, avaliações negativas ou sensação de injustiça. Minohara alerta que, embora possam gerar satisfação temporária, tais ações podem prejudicar relacionamentos interpessoais e impactar a carreira futura do funcionário.
Ela também destacou que ambientes de trabalho onde os funcionários se sentem desrespeitados ou injustiçados podem aumentar a probabilidade de ações retaliatórias. Por outro lado, boas relações interpessoais e canais abertos de comunicação podem ajudar os funcionários a lidar com frustrações de forma mais objetiva, reduzindo os riscos de conflitos ou retaliações ao deixar a empresa.




