Erupção do monte Shinmoedake no último domingo. Foto: Reprodução/NNN
Tóquio, Japão – A Agência Meteorológica do Japão (JMA) elevou na noite de segunda-feira (23) o nível de alerta de erupção do monte Shinmoedake, localizado na divisa entre as províncias de Kagoshima e Miyazaki, na região de Kyushu.
O alerta passou do nível 2 (“restrição ao entorno da cratera”) para o nível 3, que indica restrição total de acesso à montanha, informou a emissora NHK.
A medida foi tomada após uma rápida elevação na emissão de gases vulcânicos, que chegou a 4.000 toneladas por dia, segundo medições feitas no sopé da montanha no mesmo dia.
A JMA alertou para o risco de rochas incandescentes lançadas a até 3 km da cratera e fluxos piroclásticos atingindo um raio de até 2 km, além de queda de cinzas e pequenas pedras levadas pelo vento, especialmente nas áreas a favor do vento, e explosões mais intensas que podem causar ondas de choque capazes de quebrar vidros de janelas.
A população foi orientada a manter distância da área de risco e a seguir as instruções das autoridades locais.
Atividade sísmica
No domingo (22), ocorreu uma erupção com emissão de cinzas que atingiram até 500 metros acima da cratera. Foi a primeira erupção do tipo desde junho de 2018. No entanto, não houve relatos de pedras arremessadas nesse episódio.
Segundo a JMA, desde março deste ano, foram observadas deformações indicativas de expansão do vulcão, reforçando os sinais de aumento de atividade.
“Detectamos sinais de expansão da montanha desde março, e ontem (domingo) ocorreu uma erupção. Hoje, foi observada uma emissão de gases comparável à registrada durante erupções ativas, como em março de 2018”, explicou o chefe da divisão de monitoramento vulcânico da JMA, Yutaro Taira, durante uma coletiva de imprensa na noite de segunda-feira.
Ele alertou que, apesar de não haver novos tremores ou erupções nas últimas horas, o aumento repentino na emissão de gases pode indicar uma possível transição para uma fase de erupções mais intensas.
O monte Shinmoedake teve erupções explosivas em 2011 e 2018, com emissão de grandes quantidades de cinzas e pedras, além de causar danos devido a ondas de choque e pequenos fragmentos vulcânicos.
Especialista faz alerta
Durante uma inspeção realizada no sopé do monte Shinmoedake, foi constatado que a emissão diária de dióxido de enxofre (SO₂), presente nos gases vulcânicos, atingiu 4.000 toneladas, um aumento expressivo em comparação aos níveis anteriores.
A professora Mie Ichihara, do Instituto de Pesquisa Sísmica da Universidade de Tóquio, afirmou que essa elevação abrupta sugere que o dióxido de enxofre, antes dissolvido no magma, está sendo liberado à medida que o magma sobe para camadas mais rasas do subsolo.
De acordo com a professora, há vários cenários possíveis para a evolução da atividade:
- Erupções explosivas semelhantes às de 2011, com emissão intensa de cinzas e pedra-pomes, não podem ser descartadas.
- Também é possível que o magma permaneça no subsolo, liberando apenas gás e solidificando-se sem entrar em erupção.
- Outra hipótese é que o magma, após liberar seus gases, transborde como um fluxo de lava, o que poderia ser seguido por explosões com arremesso de grandes rochas.
“Estamos num período de intensa atividade. É fundamental continuar atento às mudanças. Existe a possibilidade de rochas vulcânicas serem lançadas a grandes distâncias. Por isso, é absolutamente essencial respeitar as áreas de restrição definidas pelas autoridades locais”, disse.




