Kumamoto, Japão – Em declaração feita nesta segunda-feira (12) na cidade de Kumamoto, o representante do partido Komeito, Tetsuo Saito, afirmou que propostas de redução de impostos no âmbito das políticas econômicas do partido devem estar acompanhadas da indicação clara de fontes alternativas de financiamento. A fala ocorre em meio aos debates internos da legenda sobre medidas para enfrentar a alta dos preços no Japão.
De acordo com a NHK, Saito reconheceu que há dentro do partido sugestões para aprofundar a política de alíquota reduzida do imposto sobre consumo aplicada a alimentos. No entanto, reforçou que “se for proposto algum tipo de corte de impostos, é necessário indicar de onde virão os recursos. A viabilidade dessas fontes está sendo discutida internamente.”
Saito também destacou a importância de proteger o consumo individual — que representa cerca de 60% do PIB japonês — especialmente diante da inflação e da incerteza provocada por políticas tarifárias externas, como os “tarifas Trump”.
Ainda em Kumamoto, o líder do Komeito comentou sobre o debate da adoção do sobrenome separado para casais (sistema opcional de sobrenomes diferentes após o casamento), tema em discussão com o parceiro de coalizão, o Partido Liberal Democrata (PLD). “Parece que o PLD está levando tempo para consolidar uma posição. Como se trata de um tema diretamente ligado à vida das pessoas, preferimos acompanhar a evolução da opinião pública e buscar um consenso para elaborar uma proposta legislativa sólida”, afirmou.
Primeiro-ministro pede cautela
O primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, reagiu com cautela às propostas de corte no imposto sobre consumo, incluindo aquelas debatidas dentro da coalizão governista liderada por seu próprio partido, o PLD, e pelo parceiro Komeito. Em entrevista à Fuji TV, Ishiba afirmou que “é necessário discutir cuidadosamente se não há outras formas de apoiar as pessoas que realmente precisam de ajuda”, expressando preocupação com o impacto de uma redução do imposto nas finanças do país. Segundo ele, cortar a alíquota de consumo — hoje em 8% para alimentos e bebidas e 10% para outros itens — levantaria dúvidas sobre a sustentabilidade fiscal do Japão. A declaração acontece em meio ao esforço do governo para elaborar um novo pacote econômico antes das eleições para a Câmara Alta neste verão. A posição de Ishiba marca um contraste com os apelos mais enfáticos por cortes de impostos vindos de membros do Komeito, como o representante Tetsuo Saito, e da oposição, que defende até mesmo a suspensão temporária do imposto sobre alimentos por um ano.
Por outro lado, a oposição criticou fortemente a postura do governo. Em entrevista coletiva, Kiyomi Tsujimoto, vice-representante do Partido Democrático Constitucional, questionou: “Será que não reduzir impostos é o comportamento esperado de um partido responsável? A atual administração Ishiba parece paralisada.” Tsujimoto ainda acusou o PLD de não apresentar medidas concretas diante da crise e alertou para a possibilidade de apresentar uma moção de desconfiança contra o gabinete, caso a situação continue sem avanços.
Foto: Reprodução NHK




