Nagoia, Japão – Um erro médico causado pelo diagnóstico incorreto de dois médicos residentes (categoria de profissionais de saúde em início de carreira ou cursando pós-graduação) resultou na morte de um adolescente de 16 anos em Nagoia (Aichi), informou a emissora CBC nesta quinta-feira (20).
O erro ocorreu no Aichi Medical Center Nagoya Daini Hospital (愛知医療センター 名古屋第二病院), que é gerido pela Cruz Vermelha Japonesa.
Em 28 de maio do ano passado, o jovem foi levado à emergência com sintomas de dor abdominal, vômito, diarreia e dormência nos membros. Um médico residente de segundo ano o diagnosticou com gastroenterite aguda e o mandou para casa, apesar de alguns resultados de exames de sangue indicarem pequenas anomalias.
Mais tarde, no mesmo dia, o estudante voltou ao hospital com os sintomas persistentes e foi novamente atendido por outro residente de segundo ano, que não identificou novos sintomas e o encaminhou para consulta com seu médico regular em uma clínica perto de sua casa.
No dia seguinte, o médico regular diagnosticou uma peritonite generalizada e o encaminhou de volta ao mesmo hospital para tratamento urgente.
No hospital, foi detectado que o adolescente tinha Síndrome da Artéria Mesentérica Superior (SMA), que causa obstrução intestinal, com base nos exames feitos anteriormente e que foram analisados pelo médico residente sem que ele percebesse a gravidade do problema.
Mesmo assim, o tratamento adequado não foi administrado, levando o jovem a uma condição de parada cardíaca e, eventualmente, à morte em 15 de junho devido a obstrução intestinal e desidratação severa.
O hospital reconheceu que o médico residente de segundo ano não tinha a obrigação de confirmar seu diagnóstico com um médico mais experiente, embora estes estivessem presentes na emergência. Porém, a comissão de investigação de acidentes médicos do hospital concluiu que houve erro médico.
Veja na íntegra o comentário da família da vítima para o hospital:
“Apesar de nosso filho ter ido ao hospital duas vezes desde a manhã de domingo, ele foi diagnosticado erroneamente por dois médicos residentes que confundiram a expansão gástrica com gastroenterite aguda. Mesmo com a obrigação de consultar e relatar a situação a um médico superior, não o fizeram, e apenas recomendaram que ele fosse a uma clínica no dia seguinte. No entanto, no dia seguinte, a clínica indicou a necessidade de tratamento urgente devido à piora dos sintomas. No hospital da Cruz Vermelha, mesmo com múltiplas queixas de desidratação, o tempo passou sem que o tratamento adequado fosse administrado. Além disso, apesar de ter sido internado com o diagnóstico incorreto do residente do dia anterior, ele recebeu duas doses de haloperidol, que possui efeitos colaterais graves em caso de desidratação, em vez de uma dose conforme a mudança na prescrição. A falha na transferência de informações entre enfermeiros levou à administração incorreta do medicamento e à falta de monitoramento adequado, resultando em parada cardíaca por desidratação severa.
Em vários relatórios anteriores do hospital, foi relatado que especialistas poderiam ter feito a descompressão gástrica se tivessem sido consultados pelos residentes, observando as imagens de CT (tomografia computadorizada).
Estamos convencidos de que, se não houvesse os julgamentos errôneos dos residentes e o diagnóstico incorreto, esse resultado trágico poderia ter sido evitado.
Não sabíamos se estávamos sendo atendidos por residentes ou médicos superiores. Nunca imaginamos que um grande hospital como o da Cruz Vermelha fosse operado sob uma gestão tão negligente. O relatório indica que, quando ligamos para a emergência, uma nova consulta no dia seguinte seria a melhor opção, mas, tendo sido atendidos duas vezes no mesmo dia, queríamos uma orientação imediata para retornar ao hospital.
Perdemos várias oportunidades de salvar nosso filho. Se os sintomas que relatamos tivessem sido registrados corretamente em seu prontuário… Não temos nada além de arrependimento. Ele foi diagnosticado erroneamente com gastroenterite aguda e, mesmo internado, sofreu uma parada cardíaca poucas horas depois. Esta não é uma doença rara que é difícil de diagnosticar apenas com CT. Se a descompressão gástrica tivesse sido feita no estágio inicial, este resultado poderia ter sido evitado. Isso resultou em uma desidratação severa enquanto ele estava internado no hospital.
Por favor, ouçam mais atentamente aqueles que estão sofrendo diante de vocês. Em vez de olhar apenas para o computador, olhem para os rostos sofredores e registrarem os sintomas exatamente como relatados. Nosso filho não voltará mais.
Nunca esqueçam que o erro de diagnóstico dos médicos tirou a vida de um garoto de 16 anos, encerrando abruptamente o futuro que ele sonhava.
No entanto, acredito que a maioria dos médicos e residentes trabalha diligentemente todos os dias sem cometer tais erros. Esperamos sinceramente que todos não superestimem suas habilidades e que algo assim nunca mais aconteça.”
Foto: Reprodução/JNN
Aichi Medical Center Nagoya Daini Hospital




