Atualizado em: 20/06/2024 14:18
Tóquio, Japão — O Japão registrou o recorde de 14.906 casos de sífilis em 2023. O número representa um aumento pelo terceiro ano consecutivo, superando as notificações em 2022, quando foram confirmados 13.228 casos, noticiou o jornal Yomiuri.
De acordo com o Instituto Nacional de Doenças Infecciosas, há uma preocupação com os casos de sífilis, além das ocorrências de sífilis congênita, em que o feto é infectado pela mãe através da placenta.
Profissionais do Instituto disseram que a sífilis é uma doença infecciosa causada por uma bactéria chamada Treponema pallidum. É transmitida principalmente por contato sexual, com o aparecimento de caroços ou feridas nos órgãos genitais ou na boca, acompanhados de inchaço dos gânglios linfáticos e erupção na pele, que se espalha por todo o corpo.
O diagnóstico da infecção geralmente envolve exames de sangue.
O Instituto informou que mesmo que os sintomas pareçam leves, a sífilis não tratada pode causar complicações graves, afetando principalmente o cérebro ou o coração. Outro ponto preocupante é que a doença pode ser transmitida por indivíduos infectados que não têm sintomas.
Mesmo que o uso de preservativos seja eficaz na prevenção, isso não garante uma proteção completa e as pessoas podem se infectar novamente, mesmo após a recuperação.
O tratamento precoce com o antibiótico penicilina é eficaz e pode curar completamente a doença.
Um representante do Instituto comentou: “A sífilis pode ser curada rapidamente se for detectada prontamente. Se você tiver alguma dúvida, é importante fazer testes.”
Tóquio tem mais casos
Na estatística do Instituto, por província, Tóquio relatou o número mais elevado, com 3.658, seguida por Osaka, com 1.967. Fukuoka confirmou 939 casos; Aichi teve 817, e Hokkaido, 677.
Estas estatísticas indicam a tendência contínua de casos que ocorrem predominantemente em áreas urbanas.
No caso da sífilis congênita, ela pode resultar em parto prematuro e natimorto, bem como em deficiências intelectuais, visuais e auditivas no feto. O número de casos relatados permaneceu em torno de 20 por ano desde 2018, antes de saltar para 37 em 2023, numa base preliminar.
O total de pacientes com sífilis ficou acima dos 10.000 na segunda metade da década de 1960, mas caiu entre 500 e 900 casos na década de 2000. Desde a década de 2010, no entanto, o número vem aumentado, especialmente durante a pandemia de COVID-19 em 2020.
A prevalência da doença é maior entre homens na faixa dos 20 aos 50 anos e mulheres com cerca de 20 anos de idade.
Para o Instituto, as razões para o recorde ainda são obscuras, mas os especialistas avaliam alguns fatores potenciais, como o aumento da promiscuidade e problemas no diagnóstico.
O professor Hiroshige Mikamo, da Universidade Médica de Aichi, que lidera medidas contra a sífilis na Sociedade Japonesa para Infecções Sexualmente Transmissíveis, acredita que o número real de pacientes pode ser cinco vezes superior ao relatado, revelando a gravidade da situação.
Mikamo recomenda que as pessoas se submetam a testes caso elas ou seus parceiros tenham se envolvido em atividades sexuais que representem riscos de infecção ou tenham tido novos parceiros.
“Para evitar a propagação de infecções, pedimos às pessoas que não hesitem em fazer o teste se tiverem a menor preocupação”, disse ele.
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