Tóquio – O filme oficial da Olimpíada do Rio de Janeiro teve a sua estreia mundial durante o Festival Internacional de Cinema de Tóquio (TIFF), que comemorou neste ano a sua 30ª edição com uma programação recheada de eventos especiais.
Foi o caso da exibição do documentário “Days of Truce” (que significa “Dias de trégua”), dirigido pelo carioca Breno Silveira (diretor do sucesso de bilheteria “Dois filhos de Francisco”), no dia 3 de novembro, último dia do Festival.
“Days of Truce” foi produzido pela Conspiração Filmes, a maior produtora audiovisual independente do Brasil. Mas é um projeto encomendado por nada menos que a Olympic Foundation for Culture and Heritage, a fundação que cuida da preservação dos jogos olímpicos como um patrimônio cultural.
Isso quer dizer que o filme de Breno Silveira irá figurar na mesma lista do famoso “Tokyo Olympics”, assinado pelo renomado cineasta japonês Kon Ichikawa, visto e revisto ao longo de décadas como sendo o principal registro audiovisual da Olimpíada de 1964.
A escolha de Tóquio como o local de estreia de “Days of Truce” dispensa explicações, por ser a cidade que sucederá o Rio –– faltam menos de 1.000 dias para a abertura dos Jogos de 2020.
O público que lotou a sala de cinema do Roppongi Hills, em Tóquio, deve ter se impressionado com o time de peso que participou do talk show após o filme.
A brasileira Higia Ikeda, diretora de conteúdo da Conspiração Filmes, e o diretor da Olympic Foundation, Francis Gabet, explicaram que o conceito deste filme foi registrar o Rio 2016 de uma forma original, focando no lado humano. Ambos frisaram que não faria sentido produzir um material semelhante aos canais de TV, que fizeram uma cobertura maciça dos Jogos. E ambos não economizaram elogios a Breno Silveira, que conseguiu produzir um filme de forte carga emocional, apresentando desde um motorista de táxi orgulhoso de receber os turistas com hospitalidade até uma atleta brasileira que não se classificou e foi consolada pelo lendário recordista Usain Bolt.

Medalhistas olímpicos
Participaram também do bate-papo com o público vários medalhistas olímpicos do Rio 2016: Haruka Tachimoto (medalha de ouro no judô na categoria dos 70 kg), Shota Iizuka e Ryota Yamagata (que conquistaram a medalha de prata na corrida de revezamento 4x100m). E também o judoca Popole Misenga, um refugiado do Congo que ganhou asilo no Brasil e conquistou uma vaga no time dos refugiados nos jogos do Rio. A criação da equipe de refugiados foi um dos pontos mais significativos do Rio 2016, e Breno Silveira teve a sensibilidade de dar voz a Misenga neste documentário.
Segundo a judoca Tachimoto, o filme de Silveira serviu para perceber que a o espírito olímpico transcende o simples “vencer ou perder”. Já o atleta Iizuka disse que se emocionou ao ver que a população comum também tem papel significativo nos preparativos da Olimpíada. Seu companheiro Yamagata afirmou ter visto no filme vários aspectos dos Jogos que desconhecia.
Quem mais se emocionou com “Days of Truce” foi o judoca Misenga, que aparece com destaque no filme: “Fiquei muito feliz, não imaginava que iria conseguir participar de uma Olimpíada, quanto mais de um filme que registra a Olimpíada do Rio.” E pediu que o público não torça apenas pelo seu próprio país, mas também pelos atletas refugiados na Olimpíada de Tóquio em 2020.
Assista de graça
Ainda não há previsão de novas exibições públicas de “Days of Truce”, nem no Japão nem no Brasil. Mas quem ficou com vontade de assistir logo ao filme vai conseguir vê-lo de graça pela internet.
No momento em que este artigo era redigido, a versão internacional (com narração e legendas em inglês) estava disponível no canal oficial do comitê olímpico. Confira aqui.
Fotos: Linda Tanaka/Alternativa
Talk show após exibição do filme “Days of Truce” no Festival Internacional de Cinema de Tóquio
Quem quiser conferir como foi o talk show da exibição especial no Festival de Cinema de Tóquio pode ver o vídeo abaixo:




