Tóquio, Japão – Com o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã durante a escalada de tensões com os Estados Unidos e Israel, muitos países têm acompanhado com preocupação o desenrolar do conflito.
Um desses países é o Japão, que depende do Oriente Médio para cerca de 95% de seu suprimento de petróleo e 11% de suas importações de gás natural liquefeito (GNL). Desses, 70% e 6%, respectivamente, são provenientes do Estreito de Ormuz, segundo informações da agência Reuters.
Reservas de petróleo
O Japão mantém reservas de emergência de petróleo equivalentes a 254 dias de consumo, divididas entre estoques nacionais (146 dias), estoques do setor privados (101 dias) e estoques conjuntos com países produtores de petróleo (7 dias).
Em Okinawa, um contrato do governo com a companhia árabe Saudi Aramco autoriza a produtora estatal a armazenar 13 tanques de petróleo bruto, cerca de 1,3 milhão de quilolitros de petróleo bruto – ou cerca de 8,2 milhões de barris -, equivalentes a cerca de três dias do consumo do Japão.
Este contrato está em vigor desde 2010 e tem sido renovado a cada três anos. Em troca de fornecer espaço de armazenamento para a companhia, o Japão obtém acesso preferencial ao estoque em caso de emergência.
O Japão importou, somente em janeiro, 2,8 milhões de barris de petróleo por dia, sendo que 1,6 milhões de barris por dia vieram da Arábia Saudita, com importações também dos Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar.
Autoridades japonesas disseram nesta semana que não têm planos para liberar seus estoques de petróleo.
Reservas de GNL
As importações de gás natural liquefeito (GNL) do Oriente Médio vêm do Catar, Omã e Emirados Árabes Unidos, representando apenas 11% do total do Japão. O principal fornecedor do GNL para o país é a Austrália, com cerca de 40% das importações totais.
Em 1º de março, as principais empresas de serviços públicos japonesas aumentaram seus estoques de GNL em 10%, para 2,19 milhões de toneladas métricas, o que equivale a cerca de 12 dias de consumo, em comparação com a semana anterior.
No total, o Japão possui mais de 4 milhões de toneladas de GNL armazenadas, segundo a empresa de dados Kpler. Apenas 0,1 milhão de toneladas por semana do fornecimento de GNL do Japão chegam pelo Estreito de Ormuz.
Em caso de interrupção prolongada do Estreito de Ormuz, o estoque de GNL do Japão cobriria 44 semanas de consumo, de acordo com a Kpler. Se todas as importações de GNL do Japão fossem interrompidas, o país teria suprimentos para cerca de três semanas.
O Japão comercializa cerca de 40 milhões de toneladas de GNL anualmente e poderia redirecionar parte desse volume para o mercado interno em caso de emergência. O país possui um acordo de fornecimento emergencial com o Catar e está analisando acordos semelhantes, incluindo trocas de carga, com a Itália e a Coreia do Sul.




