Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao anunciar as primeiras tarifas em abril. Foto: Reprodução/Fox
Tóquio, Japão – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou a pressão sobre parceiros comerciais ao anunciar na segunda-feira (7) novas tarifas “recíprocas” sobre produtos importados de diversos países.
Trump publicou em sua rede social cartas enviadas a líderes de 14 países, incluindo Japão, Coreia do Sul, Malásia, Cazaquistão, África do Sul, Mianmar, Laos, Tunísia, Bósnia e Herzegovina, Indonésia, Bangladesh, Sérvia, Camboja e Tailândia. As tarifas, que variam de 25% a 40%, entrarão em vigor a partir de 1º de agosto, com exceção da China.
No caso do Japão, Trump enviou uma carta ao primeiro-ministro Shigeru Ishiba afirmando que, apesar de anos de negociações, o déficit comercial com o Japão persiste. Por isso, anunciou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos japoneses a partir de agosto, superando os atuais 10% que já incidiam, incluindo tarifas recíprocas suspensas temporariamente desde abril.
Trump também assinou uma ordem executiva prorrogando até 1º de agosto a suspensão das tarifas recíprocas que expirariam em 9 de julho, dando mais tempo para negociações. As novas tarifas não se somarão às tarifas específicas já aplicadas sobre setores como automóveis (25%), aço e alumínio, segundo explicou a Casa Branca. No entanto, Trump alertou que, caso algum país retaliar com tarifas próprias, os EUA poderão aumentar ainda mais as taxas, separadamente das tarifas setoriais.
Nas cartas, Trump destacou sua preocupação com os déficits comerciais dos EUA e com políticas estrangeiras que dificultam a entrada de produtos americanos. Ele sugeriu que as empresas desses países passem a produzir nos EUA para evitar as tarifas.
Apesar de já ter ameaçado a União Europeia com medidas similares, Trump não enviou cartas ao bloco europeu. Autoridades da UE afirmaram que esperam um entendimento até 1º de agosto e que, por enquanto, o status atual será mantido.
No Japão, o governo convocou uma reunião no dia 8 de julho para discutir as medidas. O primeiro-ministro Ishiba e outros membros do governo declararam que entendem a prorrogação do prazo como uma oportunidade de negociação e que continuarão buscando um acordo abrangente que envolva tarifas sobre automóveis e outros setores. Trump também sinalizou que, se o Japão eliminar tarifas e barreiras não tarifárias contra produtos americanos, poderá rever as novas tarifas impostas.
Entenda as tarifas de Trump sobre o Japão
- “Liberation Day” – 2 de abril de 2025
O presidente Trump anunciou tarifas “recíprocas” aplicáveis globalmente para compensar desequilíbrios comerciais. Para o Japão, foi estabelecida uma taxa de 24 % sobre importações. A mesma medida trouxe tarifas de 25 % sobre automóveis e autopeças, sob a Seção 232, separadas das tarifas recíprocas.
- Implementação e suspensão – 5 de abril a 9 de julho
Trump suspendeu temporariamente as tarifas anunciadas em 2 de abril e aplicou uma taxa global de 10 %, aplicável a todos os parceiros comerciais — incluindo o Japão — enquanto se negociavam acordos. A suspensão das tarifas específicas do Japão (inicialmente 24 %) iria vigorar por 90 dias, até 9 de julho de 2025.
- Negociações e pressão – 2 de julho
Trump ameaçou elevar a tarifa específica sobre o Japão para até 35 %, se o país não fizesse concessões até a data limite original de 9 de julho. Relatos da Reuters indicaram que negociações estagnaram, com Ishiba defendendo interesses nacionais e buscando isenção para o setor automotivo.
- Novo prazo – 7 de julho
Trump assinou uma ordem executiva estendendo o prazo da suspensão das tarifas recíprocas até 1º de agosto de 2025. Ele enviou cartas ao premiê Ishiba e outros líderes, anunciando a retomada de 25 % de tarifa recíproca para o Japão, um aumento em relação aos 24 % iniciais. Reafirmou que tarifas de 25 % sobre automóveis, aço e alumínio, da Seção 232, continuarão separadas e não serão acumulativas com a tarifa recíproca, mas advertiu que, caso o Japão adote medidas retaliatórias, os EUA poderão aumentar ainda mais as taxas.




