Primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba. Foto: Reprodução/NNN
Tóquio, Japão – O primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba, afirmou nesta quarta-feira (18), após o encontro do G7 no Canadá, que os benefícios financeiros emergenciais propostos como parte das medidas contra a inflação “não são de forma alguma insignificantes”. Ele reforçou que a política deve ser analisada como um conjunto de ações abrangentes, e não isoladamente, segundo a emissora Fuji TV.
“A melhor resposta à alta dos preços não está em reduzir impostos como o de consumo, mas sim em garantir aumento real dos salários que supere a inflação. Essa é uma prioridade urgente”, disse Ishiba durante uma coletiva de imprensa.
No entanto, reconhecendo que a elevação salarial leva tempo, o premiê explicou que, como medida temporária, decidiu incluir os benefícios em dinheiro no programa do partido para as eleições da Câmara Alta do Parlamento.
Valores propostos:
(por pessoa, incluindo estrangeiros residentes no Japão)
- 40 mil ienes para todas as crianças (até 18 anos) e pessoas de baixa renda (isentas do imposto residencial – juuminzei)
- 20 mil ienes para todas as demais pessoas no Japão, independentemente da renda
Segundo o primeiro-ministro, os novos benefícios são mais generosos que a ajuda do ano passado e complementam outras políticas contra a inflação, devendo ser considerados como parte de uma estratégia conjunta. “De forma alguma, não acho pouco”, disse.
Benefícios x redução do imposto sobre consumo
Ishiba também refutou comparações com a redução do imposto sobre consumo (shouhizei). “Os benefícios não favorecem os que têm rendas mais altas. Eles são focados em quem realmente está enfrentando dificuldades. E, além disso, podem ser implementados rapidamente.”
Ele destacou que cortar o imposto sobre consumo levaria mais tempo e que, no atual cenário de alta nos preços, a agilidade é essencial. “Na prática, os benefícios (em dinheiro) são muito mais eficazes.”
Por fim, Ishiba fez questão de lembrar que o imposto sobre consumo é uma fonte vital para a seguridade social, especialmente para sustentar os sistemas de saúde e cuidados com idosos.
“Reduzir esse imposto de forma precipitada pode comprometer os recursos que sustentam serviços essenciais. Precisamos ser extremamente cautelosos”, ressaltou.
“Por isso, acredito firmemente que os benefícios são uma resposta mais adequada e responsável neste momento.”
Pagamentos até o final do ano
Os secretários-gerais e líderes dos comitês de estratégia parlamentar do Partido Liberal Democrata (PLD) e do Komeito — que formam a coalizão governista — reuniram-se em Tóquio na terça-feira (17) para discutir medidas econômicas.
Durante o encontro, eles confirmaram que o plano de pagamento em dinheiro direto à população será elaborado com prioridade.
Sobre o prazo para a entrega dos benefícios, Tetsushi Sakamoto, líder do comitê parlamentar do PLD, afirmou à imprensa que houve consenso de que “os pagamentos devem ser realizados, no mais tardar, até o final do ano.”




