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Tóquio, Japão – O primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba, anunciou na sexta-feira (13), em entrevista coletiva na sede do governo, que pretende incluir no programa de campanha para as próximas eleições da Câmara Alta do Parlamento uma proposta de pagamento em dinheiro a todas as pessoas no país.
“Instruí o presidente do Conselho de Política do PLD, Itsunori Onodera, a considerar a inclusão de um benefício financeiro que não seja mera distribuição de recursos, mas que foque nas pessoas que realmente precisam de ajuda”, afirmou Ishiba, segundo a emissora Fuji TV.
Valores propostos:
(por pessoa, incluindo estrangeiros residentes no Japão)
- 40 mil ienes para todas as crianças (até 18 anos) e pessoas de baixa renda (isentas do imposto residencial – juuminzei)
- 20 mil ienes para todas as demais pessoas no Japão, independentemente da renda
Exemplos:
- Uma família de quatro pessoas (casal e dois filhos com menos de 18 anos) que paga imposto residencial normalmente deve receber 120 mil ienes no total. Ou seja, o pai e a mãe ganham 20 mil ienes cada e os filhos, 40 mil ienes cada.
- Uma família de cinco pessoas (casal e três filhos com menos de 18 anos) isenta do imposto residencial deve receber 200 mil ienes no total. Ou seja, o pai e a mãe teriam direito a 40 mil ienes cada e os filhos, 40 mil ienes cada.
Ishiba afirmou que a implementação e os detalhes técnicos do benefício ainda serão discutidos com o partido Komeito, parceiro da coalizão governista.
Quanto ao orçamento necessário, Ishiba estimou que o custo total da medida ficará em torno de 3,5 trilhões de ienes.
O premiê fez questão de destacar que a iniciativa será financiada com responsabilidade fiscal: “Não vamos agravar as finanças públicas nem sobrecarregar as futuras gerações. Vamos observar a arrecadação de impostos e garantir fontes de financiamento adequadas, sem recorrer a emissão de títulos da dívida pública”, enfatizou.
Críticas à proposta: “sensação de injustiça”
O economista e comentarista econômico Takashi Kadokura criticou duramente a proposta do governo. “O valor de 20 mil ienes representa apenas 0,4% da renda anual média, o que é extremamente baixo. Portanto, é ineficaz como medida contra a inflação”, disse.
Ele também apontou que o critério para os pagamentos ignora o real grau de dificuldade financeira da população.
“O governo está priorizando determinados grupos, como famílias com filhos, independentemente da situação econômica individual, o que gera sensação de injustiça para a classe média que não se enquadra nessas categorias.”
Kadokura ressaltou ainda que a quantidade de filhos não está necessariamente relacionada à dificuldade financeira, e que o adicional para crianças configura mais uma política de apoio à natalidade do que uma medida real de combate à alta dos preços:
“Esse tipo de auxílio já está sendo promovido em outras frentes como parte das políticas contra a queda da natalidade. Ampliar ainda mais esse apoio não tem base sólida”, alegou.
Segundo ele, muitos japoneses da classe média sem filhos estão enfrentando dificuldades diante do aumento dos preços, impostos e contribuições sociais, mas foram deixados de fora da proposta de ganhar 40 mil ienes.
“Se o governo continuar adotando políticas que desconsideram a classe média — historicamente o pilar da economia japonesa — o resultado será a desmotivação da força de trabalho e, consequentemente, uma queda na produtividade nacional”, alertou.




