Tóquio, Japão – O primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba, não está disposto a reduzir o imposto sobre consumo, apesar das pressões crescentes da oposição e de setores do próprio Partido Liberal Democrata (PLD).
Segundo a emissora TBS, o assunto foi discutido durante um encontro entre Ishiba e o secretário-geral do PLD, Hiroshi Moriyama, em um restaurante em Tóquio na quinta-feira (8), e tudo indica que a decisão já foi tomada nos bastidores.
A oposição não demorou a criticar a decisão. O líder do Partido Democrático Constitucional, Yoshihiko Noda, foi contundente: “Nem redução de impostos, nem auxílio em dinheiro. Então, qual é o plano para combater a alta de preços? Isso é ser omisso.”
A declaração de Noda reflete a crescente insatisfação da oposição, que acusa o governo de não apresentar medidas concretas para mitigar os impactos da inflação sobre a população, especialmente os mais vulneráveis.
Nas ruas, as opiniões se dividem. “Estou chocado. Realmente esperava uma redução no imposto para aliviar as despesas diárias”, disse um consumidor.
Outro entrevistado apoiou a decisão. “Sou a favor de não reduzir o imposto. Quem mais se beneficia da redução são os mais ricos. Isso não resolve o problema de quem realmente precisa.”
Segundo fontes próximas ao governo, Ishiba teria dito que a redução do imposto sobre consumo envolve tanto aspectos positivos quanto negativos.
“Reduzir o imposto não é uma política simples. Há questões sobre financiamento e ajustes no sistema tributário. Devemos focar em apoiar os mais necessitados de forma direta”, disseram.
A declaração sugere que o governo deve priorizar subsídios direcionados a famílias de baixa renda em vez de uma redução generalizada de impostos.
A decisão de Ishiba também gerou atritos na base aliada. O Komeito, parceiro de coalizão, incluiu a redução do imposto sobre consumo como um dos principais pontos de sua plataforma para as eleições parlamentares no verão.
O líder do partido, Tetsuo Saito, reafirmou a posição: “Acreditamos que a redução de impostos é essencial para a recuperação econômica.”
Dentro do PLD, parlamentares e membros do comitê de política fiscal continuam pressionando Ishiba para reconsiderar a decisão. Com a aproximação das eleições, o assunto promete ser um dos temas mais polêmicos. O primeiro-ministro pretende discutir a questão com a base aliada e buscar um consenso que equilibre a necessidade de apoio financeiro às famílias sem comprometer o orçamento fiscal.
Foto: Divulgação
Líder do Partido Democrático Constitucional, Yoshihiko Noda




